
A Casas Bahia realizou ontem, segunda-feira (17), um leilão com 350 lotes de eletrodomésticos na plataforma Kwara . Entre os produtos estavam geladeiras, fogões, lavadoras e outros equipamentos, com lances que abaixo do de mercado.
O evento aconteceu um dia após a divulgação do pedido de recuperação judicial da companhia . Na Justiça de São Paulo, a Casas Bahia informou ter cerca de R$ 17,3 bilhões em dívidas e busca reorganizar sua situação financeira . Segundo a empresa, os juros elevados, a dificuldade de acesso ao crédito e o aumento dos custos financeiros contribuíram para o cenário.
O leilão teve encerramentos entre 11h e 12h e alguns lotes não receberam lances. Entre os itens disponíveis, uma lavadora aparecia por R$ 305, dois fogões tinham lance de R$ 457 e alguns refrigeradores estavam sendo disputados por menos de R$ 1 mil.
Apesar dos valores baixos, era necessário atenção antes de fazer qualquer oferta. Os produtos são provenientes de logística reversa e foram vendidos sem garantia de funcionamento e sem possibilidade de troca.
Alguns dos produtos que estavam no leilão
Os valores mostrados na plataforma não eram fixos, já que os participantes poderiam aumentar os lances antes do encerramento de cada lote .
Na consulta realizada no domingo (16), um dia antes do fim do leilão, alguns produtos já apresentavam valores abaixo dos preços normalmente encontrados no varejo.

Os lances encontrados na consulta foram:
- Lavadora Britânia BLR04: R$ 305;
- Dois fogões: R$ 457;
- Refrigerador Electrolux TF51: R$ 830;
- Refrigerador Consul CRD37: R$ 1.011;
- Refrigerador Brastemp BRM55FB: R$ 1.652;
- Refrigerador Electrolux IB7S: R$ 1.735.
Os valores acima eram os lances registrados no momento da consulta e poderiam aumentar até o encerramento de cada lote.
O lance não era o valor final
Mesmo com produtos anunciados por preços menores, o comprador precisava fazer uma conta antes de participar. Isso porque os lances vencedores estavam sujeitos a 20% em taxas, sendo 5% de comissão do leiloeiro e outros 15% referentes a despesas administrativas .
Na prática, um lance de R$ 1.000 passaria para R$ 1.200 somente com essas cobranças.
Com os produtos consultados, uma oferta de R$ 305 chegaria a R$ 366 . Já um lance de R$ 1.735 passaria para R$ 2.082.
Além das taxas, ainda poderiam existir outros gastos com retirada, transporte e impostos que eventualmente incidissem sobre a compra.
Também havia ofertas condicionais. Nesses casos, mesmo que o participante tivesse o maior lance, a venda ainda poderia depender da aprovação da empresa vendedora, que teria até cinco dias úteis após o encerramento para analisar determinadas propostas.
Por que os produtos estavam tão baratos?
O preço reduzido tinha relação com a condição dos eletrodomésticos colocados à venda.
Segundo o edital, os produtos eram provenientes de logística reversa e estavam sendo vendidos no estado em que se encontravam. Com isso, não havia garantia de funcionamento nem possibilidade de troca.
Os itens poderiam apresentar riscos, amassados, sujeira e sinais de uso. Também havia a possibilidade de faltarem peças, componentes ou acessórios.
Em alguns casos, os produtos poderiam até ser considerados sucata.
O edital também alertava sobre as embalagens de equipamentos e televisores . Elas poderiam não corresponder à marca, ao modelo ou ao tamanho do produto que estava dentro. As etiquetas e diagnósticos presentes nas embalagens também não necessariamente representavam a situação real do equipamento.
Por isso, o desconto precisava ser analisado. Não era uma promoção comum de produtos novos, mas uma compra de itens que poderiam apresentar problemas e exigir gastos depois da arrematação.
Produtos poderiam ser avaliados antes do lance
Antes de fazer uma oferta, o edital recomendava que os lotes fossem avaliados. As informações sobre a visitação estavam disponíveis na página de cada produto.
As imagens e descrições publicadas na plataforma serviam apenas como referência e não substituíam a avaliação presencial.
A retirada dos itens estava prevista para Jundiaí, na região da Vila Militar, e ficava sob responsabilidade do comprador.
Era necessário fazer o agendamento previamente, utilizar calçado de segurança e ter um veículo adequado para transportar os produtos . A retirada a pé ou de motocicleta não era permitida.
Como era possível participar?
Para disputar os produtos, era necessário ter cadastro na Kwara e solicitar a habilitação no leilão . O edital determinava que o procedimento fosse feito com pelo menos uma hora de antecedência em relação ao horário previsto para o início.
Como o leilão já foi encerrado ontem, segunda-feira (17), não é mais possível realizar novos lances nos lotes.
Agora, nos casos de ofertas condicionais, a empresa vendedora tem até cinco dias úteis após o encerramento para analisar as propostas e confirmar ou não a venda.
Vale a pena?
Os valores poderiam parecer vantajosos, principalmente por envolverem eletrodomésticos que normalmente custam mais caro. Mas o lance não era o único valor que o comprador precisava considerar.
Além dos 20% de taxas, era necessário levar em conta a condição do produto, a falta de garantia, os gastos com transporte e retirada em Jundiaí e a possibilidade de serem necessários reparos.
Por isso, quem participou do leilão precisava colocar todos esses custos na ponta do lápis antes de considerar o produto realmente barato.
*Estagiária sob supervisão