
A Casas Bahia já se prepara para um 2027 mais difícil do que 2026. O presidente-executivo do grupo, Renato Franklin, afirmou nesta segunda-feira (17) que a varejista espera uma piora nas condições de crédito das famílias e adotará mais rigor para financiar compras. A previsão ajudou a definir o fechamento de 298 lojas.
A declaração veio um dia depois de a companhia protocolar um pedido de recuperação judicial para renegociar R$ 17,3 bilhões em dívidas. O grupo tenta preservar o caixa e manter funcionando as mais de 700 lojas que restaram, além do comércio eletrônico.
“Não trabalhamos com melhora no cenário macro. Consideramos que 2027 será pior que 2026”, afirmou Franklin durante uma conferência com analistas. O executivo avalia que parte dos mecanismos que sustentaram o consumo neste ano deixará famílias mais endividadas no próximo.
A Casas Bahia, por isso, já está mais restritiva na concessão de financiamentos. A preocupação é especialmente relevante para a rede porque móveis, eletrodomésticos e eletrônicos costumam ter preços mais altos e dependem mais de parcelamento e crédito para chegar ao consumidor.
Quase 300 lojas ficaram pelo caminho
A empresa decidiu fechar 298 unidades de uma só vez, quase 30% de sua rede. Franklin disse que o corte já foi dimensionado considerando uma deterioração da economia em 2027 e afirmou que as unidades de pior desempenho foram retiradas da operação.
O iG mostrou nesta segunda-feira que cerca de 3 mil funcionários também foram demitidos. Somadas às reduções iniciadas em 2023, as duas etapas de reestruturação representam aproximadamente 11,6 mil postos de trabalho cortados e cerca de 355 lojas fechadas.
O encolhimento ocorre enquanto as contas continuam no vermelho. Entre abril e junho, a Casas Bahia registrou prejuízo líquido de R$ 10,1 bilhões, contra perda de R$ 555 milhões no mesmo período de 2025.
A própria empresa ressalta que R$ 9,1 bilhões do prejuízo vieram de efeitos contábeis sem impacto no caixa naquele trimestre. Retirados esses itens, a perda ajustada ficou em R$ 978 milhões, alta de 76% na comparação anual.
Dívida de R$ 17,3 bilhões
A deterioração financeira levou a companhia a recorrer novamente à renegociação de dívidas. O iG detalhou o pedido de recuperação judicial apresentado à Justiça de São Paulo, que envolve R$ 17,3 bilhões. Desse total, R$ 16,4 bilhões são devidos a credores sem garantia específica, R$ 754 milhões correspondem a débitos trabalhistas e R$ 154 milhões são devidos a micro e pequenas empresas.
Não é a primeira renegociação recente. Em 2024, a varejista recorreu a uma recuperação extrajudicial para reorganizar aproximadamente R$ 4,1 bilhões em dívidas. O acordo alongou os pagamentos, mas não encerrou a sequência de prejuízos.
Agora, a direção também pretende reduzir vendas digitais que gerem volume sem margem suficiente. Franklin disse que marketplaces continuarão sendo usados, mas a prioridade será concentrar recursos nos canais, lojas e categorias capazes de dar retorno financeiro. A empresa mantém, desde 2025, uma parceria com o Mercado Livre.
A Casas Bahia afirma que as lojas mantidas na rede, os sites e os demais canais de venda continuarão operando normalmente enquanto o pedido de recuperação judicial avança na Justiça.