"Coração partido": funcionário deixa Casas Bahia após 21 anos

Trabalhador desabafou nas redes sociais sobre o encerramento da unidade em Mato Grosso do Sul e agradeceu pela trajetória na empresa

 Edson Silva, ex-funcionário da Casas Bahia em Ponta Porã, em Mato Grosso do Sul
Foto: Reprodução/Instagram
 Edson Silva, ex-funcionário da Casas Bahia em Ponta Porã, em Mato Grosso do Sul

Após 21 anos de trabalho na  Casas Bahia, Edson Silva desabafou nas redes sociais depois de ser informado sobre o fechamento da unidade de Ponta Porã, em Mato Grosso do Sul. O encerramento da loja aconteceu dois dias antes do anúncio oficial do processo de recuperação judicial  da empresa neste domingo (16).


O funcionário compartilhou o relato nas redes sociais, após receber a notícia durante uma reunião com o gestor.

Foi daqui que eu tirei meu sustento, foi daqui que eu criei meus filhos. Foi daqui que eu formei minha família.
Edson Silva, ex-funcionário da Casas Bahia.


Silva também agradeceu aos gestores que passaram pela unidade, aos colegas e aos amigos que conheceu durante o tempo de trabalho na loja .

Emocionado com o encerramento de duas décadas de trabalho, o funcionário resumiu o momento como uma despedida difícil.

Deus fecha uma porta e, lá na frente, com certeza vai abrir outras. Hoje o coração está partido mesmo, mas com sentimento de dever cumprido. Procurei, de todas as formas, dar o meu melhor para a empresa, para mim, para minha família e para os meus clientes. Muito obrigado, gente. Não está fácil, está difícil falar, mas vida que segue.
Edson Silva, ex-funcionário da Casas Bahia.


Casas Bahia enfrenta dificuldades financeiras
Foto: Reprodução
Casas Bahia enfrenta dificuldades financeiras


Recuperação judicial

Em agosto, a empresa fechou quase 300 lojas e demitiu cerca de três mil funcionários, segundo informações dadas pela companhia no processo de recuperação judicial.

O Grupo Casas Bahia entrou com pedido de recuperação no domingo (16), na Justiça de São Paulo, envolvendo cerca de R$ 17,3 bilhões em dívidas.

A companhia ainda disse que enfrenta dificuldades causadas pelos juros elevados, pela menor oferta de crédito, pelo aumento dos custos financeiros, pela queda no consumo de produtos de maior valor e pelo crescimento da inadimplência .

A empresa também informou que não conseguiu terminar negociações para conseguir novos recursos financeiros.

Os cortes feitos em agosto fazem parte de um processo de reestruturação começado em 2023 . Naquele ano, a empresa fechou 55 lojas vistas como deficitárias e reduziu aproximadamente 8,6 mil postos de trabalho.

Com as medidas adotadas agora, em 2026, a Casas Bahia estima uma redução de cerca de 11,6 mil empregos e o fechamento de aproximadamente 355 lojas desde o início do processo de reorganização.

Mesmo após os cortes, a empresa disse que tem mais de 20 mil funcionários e uma rede com mais de 700 lojas físicas em funcionamento, além dos canais de venda pela internet.


Sindicato cobra explicações

O Sindicato dos Comerciários de São Paulo afirmou que foi surpreendido pelo anúncio de que a Casas Bahia fechou 298 lojas em todo o país e demitiu cerca de 1,9 mil trabalhadores entre quinta-feira (13) e sexta-feira (14). Segundo a entidade, não houve comunicação prévia sobre a decisão. O sindicato considera a medida preocupante pelos impactos que pode causar aos trabalhadores e suas famílias.

Depois do anúncio, a entidade convocou representantes da empresa para uma reunião. O sindicato quer pedir informações sobre os critérios usados para decidir quais lojas seriam fechadas, quantos trabalhadores foram afetados na Grande São Paulo e quais medidas serão adotadas para garantir os direitos dos funcionários demitidos.

A entidade disse que acompanha a situação e oferece orientação aos comerciários afetados. Entre as medidas estão a busca por alternativas para diminuir os impactos das demissões e, quando possível, tentar reverter os desligamentos nas lojas da região metropolitana.

O sindicato orienta os trabalhadores e trabalhadoras da Grande São Paulo que foram demitidos ou têm dúvidas sobre seus direitos a procurar a entidade. 

Para a direção do sindicato, uma mudança desse tamanho deveria ser discutida com os representantes dos trabalhadores. A entidade afirma que continuará acompanhando o caso até que a Casas Bahia apresentem esclarecimentos e medidas para os comerciários afetados.