
Após 21 anos de trabalho na Casas Bahia, Edson Silva desabafou nas redes sociais depois de ser informado sobre o fechamento da unidade de Ponta Porã, em Mato Grosso do Sul. O encerramento da loja aconteceu dois dias antes do anúncio oficial do processo de recuperação judicial da empresa neste domingo (16).
O funcionário compartilhou o relato nas redes sociais, após receber a notícia durante uma reunião com o gestor.
Silva também agradeceu aos gestores que passaram pela unidade, aos colegas e aos amigos que conheceu durante o tempo de trabalho na loja .
Emocionado com o encerramento de duas décadas de trabalho, o funcionário resumiu o momento como uma despedida difícil.

Recuperação judicial
Em agosto, a empresa fechou quase 300 lojas e demitiu cerca de três mil funcionários, segundo informações dadas pela companhia no processo de recuperação judicial.
O Grupo Casas Bahia entrou com pedido de recuperação no domingo (16), na Justiça de São Paulo, envolvendo cerca de R$ 17,3 bilhões em dívidas.
A companhia ainda disse que enfrenta dificuldades causadas pelos juros elevados, pela menor oferta de crédito, pelo aumento dos custos financeiros, pela queda no consumo de produtos de maior valor e pelo crescimento da inadimplência .
A empresa também informou que não conseguiu terminar negociações para conseguir novos recursos financeiros.
Os cortes feitos em agosto fazem parte de um processo de reestruturação começado em 2023 . Naquele ano, a empresa fechou 55 lojas vistas como deficitárias e reduziu aproximadamente 8,6 mil postos de trabalho.
Com as medidas adotadas agora, em 2026, a Casas Bahia estima uma redução de cerca de 11,6 mil empregos e o fechamento de aproximadamente 355 lojas desde o início do processo de reorganização.
Mesmo após os cortes, a empresa disse que tem mais de 20 mil funcionários e uma rede com mais de 700 lojas físicas em funcionamento, além dos canais de venda pela internet.
Sindicato cobra explicações
O Sindicato dos Comerciários de São Paulo afirmou que foi surpreendido pelo anúncio de que a Casas Bahia fechou 298 lojas em todo o país e demitiu cerca de 1,9 mil trabalhadores entre quinta-feira (13) e sexta-feira (14). Segundo a entidade, não houve comunicação prévia sobre a decisão. O sindicato considera a medida preocupante pelos impactos que pode causar aos trabalhadores e suas famílias.
Depois do anúncio, a entidade convocou representantes da empresa para uma reunião. O sindicato quer pedir informações sobre os critérios usados para decidir quais lojas seriam fechadas, quantos trabalhadores foram afetados na Grande São Paulo e quais medidas serão adotadas para garantir os direitos dos funcionários demitidos.
A entidade disse que acompanha a situação e oferece orientação aos comerciários afetados. Entre as medidas estão a busca por alternativas para diminuir os impactos das demissões e, quando possível, tentar reverter os desligamentos nas lojas da região metropolitana.
O sindicato orienta os trabalhadores e trabalhadoras da Grande São Paulo que foram demitidos ou têm dúvidas sobre seus direitos a procurar a entidade.
Para a direção do sindicato, uma mudança desse tamanho deveria ser discutida com os representantes dos trabalhadores. A entidade afirma que continuará acompanhando o caso até que a Casas Bahia apresentem esclarecimentos e medidas para os comerciários afetados.