Casas Bahia demite 3 mil e fecha quase 300 lojas em agosto

Medidas fazem parte da reestruturação da varejista, que pediu recuperação judicial para renegociar R$ 17,3 bilhões em dívidas

Casas Bahia demite 3 mil e fecha quase 300 lojas em agosto
Foto: Reprodução/Wiki
Casas Bahia demite 3 mil e fecha quase 300 lojas em agosto

O Grupo Casas Bahia  demitiu cerca de 3 mil funcionários e fechou quase 300 lojas em agosto de 2026, em mais uma etapa do plano de reestruturação adotado pela companhia para reduzir custos e enfrentar a crise financeira.

As medidas foram apresentadas no pedido de  recuperação judicial protocolado pela empresa na Justiça de São Paul o. O processo envolve aproximadamente R$ 17,3 bilhões em dívidas e tem como objetivo reorganizar as finanças e garantir a continuidade das operações.

Segundo a companhia, a crise foi agravada por fatores como juros elevados, dificuldade de acesso ao crédito, queda no consumo de bens duráveis e aumento da inadimplência.

Mais de 11 mil empregos foram cortados

Os cortes realizados em agosto se somam a uma primeira rodada de reestruturação iniciada em 2023.

Naquele ano, o chamado Plano de Transformação levou ao fechamento de 55 lojas consideradas deficitárias e à redução de aproximadamente 8,6 mil postos de trabalho .

Em 2026, a empresa voltou a reduzir sua estrutura. Apenas em agosto, foram cerca de 3 mil demissões e quase 300 lojas encerradas.

Com as duas etapas, a Casas Bahia estima uma redução de aproximadamente 11,6 mil postos de trabalho e o fechamento de cerca de 355 lojas .

Apesar dos cortes, a companhia afirma que ainda possui mais de 20 mil funcionários e uma rede com mais de 700 lojas físicas em funcionamento.

Por que a Casas Bahia está fechando lojas

De acordo com as informações apresentadas pela própria empresa à Justiça, a Casas Bahia enfrenta uma combinação de fatores que pressionaram sua situação financeira.

Entre eles estão o custo elevado da dívida, os juros altos, a redução do consumo de produtos considerados bens duráveis e o aumento da inadimplência.

A companhia também cita as mudanças provocadas pela transformação digital do varejo e afirma que vem adotando medidas para diminuir estoques, investimentos, despesas e custos de operação.

O objetivo é concentrar os recursos em atividades consideradas mais rentáveis e melhorar a geração de caixa.

Empresa já havia renegociado dívidas em 2024

A atual recuperação judicial ocorre depois de outra tentativa de reorganização financeira.

Em 2024, a Casas Bahia recorreu a uma recuperação extrajudicial  para renegociar aproximadamente R$ 4,1 bilhões em dívidas com credores .

O acordo foi homologado pela Justiça naquele ano e alterou o perfil dos débitos da companhia. A expectativa era de que a renegociação, combinada com uma eventual redução dos juros e recuperação do consumo, ajudasse a estabilizar as contas.

No entanto, segundo a empresa, o cenário continuou pressionando o caixa e tornou necessária uma nova reestruturação.

Recuperação judicial envolve R$ 17,3 bilhões

O Grupo Casas Bahia protocolou o pedido de recuperação judicial no domingo (16), na Justiça de São Paulo .

A medida envolve a própria companhia e outras empresas do grupo e busca permitir a renegociação de aproximadamente R$ 17,3 bilhões em dívidas sob acompanhamento judicial.

A recuperação judicial é um mecanismo utilizado por empresas que enfrentam dificuldades financeiras para negociar seus débitos com credores e tentar manter suas atividades enquanto reorganizam as contas.

No caso da Casas Bahia, a empresa também busca evitar que cobranças e vencimentos antecipados comprometam ainda mais o caixa.


Lojas continuarão funcionando

Apesar do fechamento de centenas de unidades, a Casas Bahia afirma que pretende manter em funcionamento as lojas que permaneceram abertas, além do comércio eletrônico e dos demais canais de venda.

A companhia defende que a reestruturação é necessária justamente para preservar a operação e os empregos que ainda permanecem no grupo.

O pedido de recuperação judicial, apresentado em caráter de urgência, ainda precisa seguir os trâmites determinados pela Justiça e também deverá ser ratificado pelos acionistas em Assembleia Geral Extraordinária .