
Já imaginou viajar para outro país e pagar uma compra usando o mesmo aplicativo do banco que você utiliza no Brasil? Essa possibilidade já existe em alguns lugares. Mesmo sem um Pix Internacional oficial, brasileiros já conseguem fazer pagamentos no exterior graças a empresas que conectam o sistema brasileiro a redes internacionais.
Segundo o Banco Central (BC), o Pix continua sendo um sistema exclusivamente brasileiro. Isso significa que, para que uma compra seja concluída fora do país, é necessária uma empresa intermediária, responsável por receber o pagamento em reais, realizar a conversão cambial e repassar o valor ao estabelecimento na moeda local.
Atualmente, Chile e Argentina concentram as iniciativas mais avançadas desse modelo. O BC também informa que já existem operações nos Estados Unidos, Portugal e França, e a expectativa é que a modalidade seja ampliada para outros destinos com grande fluxo de turistas brasileiros.
Chile concentra a maior operação
No Chile, a fintech brasileira PagBrasil, em parceria com a chilena VirtualPOS, lançou uma solução que permite que brasileiros, argentinos e paraguaios façam pagamentos apenas escaneando um QR Code com o aplicativo do banco que já utilizam normalmente.

A empresa projeta movimentar mais de US$ 10 milhões (R$ 51 milhões) entre junho e setembro deste ano, um crescimento de 900% em relação à temporada de inverno anterior.
De acordo com a PagBrasil, a solução já está presente em hotéis, restaurantes, meios de transporte, locadoras de veículos, lojas e até centros de esqui. Na hora da compra, o consumidor visualiza o valor em pesos chilenos, enquanto o sistema mostra automaticamente o equivalente em reais antes da confirmação. O comerciante, por sua vez, recebe o pagamento diretamente em pesos.
A expansão acompanha o crescimento do turismo no país. Em 2025, o Chile recebeu mais de 6 milhões de visitantes de fora, cerca de 681 mil eram brasileiros.
Argentina também já oferece o serviço
Na Argentina, a principal iniciativa é resultado de uma parceria entre o Banco do Brasil e o Banco Patagonia. Desde março, brasileiros conseguem realizar pagamentos em cerca de 6 mil estabelecimentos credenciados utilizando o aplicativo da instituição financeira, sem precisar baixar outra plataforma nem fazer um novo cadastro.
Na prática, basta escanear o QR Code apresentado pelo comerciante para visualizar a taxa de câmbio antes de confirmar a operação. O valor é debitado em reais diretamente da conta brasileira, enquanto o estabelecimento recebe em pesos argentinos. Sobre a transação incidem a conversão cambial e o IOF (Imposto sobre Operações Financeiras), conforme prevê a legislação.
O movimento também ocorreu no sentido inverso. Desde fevereiro, clientes do Banco Patagonia passaram a utilizar o Pix QR Code para realizar pagamentos em estabelecimentos brasileiros diretamente pelo aplicativo da instituição argentina.
Conforme o Banco do Brasil, a solução foi desenvolvida para, futuramente, ser expandida para outros países da América, Europa e Ásia.
Como funciona o Pix no exterior?
O processo é simples para o turista.
O que o viajante faz:
- Escaneie o QR Code do estabelecimento com o aplicativo do banco brasileiro;
- Confere o valor já convertido para reais;
- Confirma a operação.
O que acontece nos bastidores:
- O pagamento via Pix é enviado para uma empresa intermediária;
- A empresa realiza a conversão da moeda;
- O estabelecimento recebe o valor diretamente na moeda local.

Embora ainda dependa de empresas intermediárias, a tecnologia já facilita a rotina de quem viaja ao exterior, reduzindo a necessidade de levar dinheiro em espécie ou utilizar cartões internacionais em algumas situações. Com a ampliação das parcerias entre bancos e empresas de pagamento, a expectativa é que o serviço esteja disponível em cada vez mais destinos nos próximos anos.
*Estagiária sob supervisão