
O Ministério da Fazenda deve apresentar em até 40 dias uma nova fase do programa Novo Desenrola, anunciado na segunda-feira (4), pelo governo federal. A informação é da colunista Adriana Fernandes, da Folha de S. Paulo
A iniciativa deve ser lançada em junho e terá como foco um público até então fora das etapas anteriores: pessoas que estão com as dívidas em dia, mas enfrentam dificuldades para arcar com o valor elevado das parcelas, pressionadas pelos juros altos.
A proposta é contemplar consumidores considerados “enforcados”, que, mesmo pagando em dia, sofrem com o peso dos juros nas prestações e já comprometem grande parte da renda com o pagamento de débitos. O público-alvo continuará sendo formado por brasileiros que recebem até cinco salários mínimos.
A medida atende a um pedido direto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ainda durante a elaboração do programa . De acordo com a jornalista, para evitar ruídos, o governo optou por anunciar o projeto de forma gradual.
Na próxima etapa, a expectativa é de que seja lançado um pacote de estímulos voltado ao sistema financeiro, com o objetivo de incentivar bancos a reduzirem juros e alongarem prazos de pagamento para esse grupo específico.
Instituições financeiras já indicaram preocupação com esse perfil de cliente, que apresenta alto risco de se tornar inadimplente. Isso ocorre porque, com juros elevados, as dívidas crescem em ritmo mais acelerado do que a renda, tornando o equilíbrio financeiro cada vez mais difícil.
A avaliação do governo é que, sem intervenção, muitos desses consumidores acabam migrando para a inadimplência. A estratégia é agir antes que isso aconteça.
Outro ponto de atenção é a percepção pública do programa. A equipe econômica busca evitar a interpretação de que medidas de renegociação beneficiam apenas quem deixou de pagar, enquanto quem mantém as contas em dia não recebe apoio.
A nova fase ainda está em estágio inicial de estudos. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, já determinou o aprofundamento das análises antes de apresentar a proposta ao presidente, que deverá definir o formato final.
A pressa do governo está ligada ao impacto do endividamento das famílias na economia. A leitura é de que o alto nível de dívidas compromete o consumo e impacta diretamente a avaliação da gestão federal, em meio a um cenário político desafiador.
Desenrola Famílias
O Desenrola Famílias permitirá a renegociação de dívidas contratadas até 31 de janeiro de 2026 por meio de um novo crédito, com taxa de juros limitada. O público-alvo são pessoas com renda de até cinco salários mínimos ou R$ 8.105.
Poderão ser renegociadas dívidas em atraso entre 90 dias e até dois anos, incluindo crédito pessoal não consignado, cartão de crédito e cheque especial. As instituições financeiras participantes devem aplicar descontos que variam de 30% a 90%, dependendo do tipo de débito e do tempo de inadimplência.
De acordo com o ministro da Fazenda, Dario Durigan, o programa busca não apenas reduzir o endividamento, mas também melhorar a qualidade do crédito disponível à população.
“Isso tudo permite que, do ponto de vista pessoal, essa angústia com o nome sujo seja retirada e, ao mesmo tempo, o crédito possa voltar a existir para essas pessoas, mas um crédito melhor, em outras condições”, afirmou. Dario Durigan, ministro da Fazenda
O ministro também destacou o impacto das altas taxas de juros sobre o crescimento das dívidas. Segundo ele, um débito de R$ 10 mil pode aumentar rapidamente com encargos de até 15% ao mês no cartão de crédito, tornando-se impagável em pouco tempo.
“O que estamos fazendo? Estamos mobilizando a arquitetura, os fundos de garantia do poder público, estabelecendo essa nova relação com os bancos para dizer o seguinte: essas pessoas não vão pagar essa dívida com essa taxa de juros nesse patamar. Estamos partindo de uma série de descontos”, disse. Dario Durigan, ministro da Fazenda
A aposta do governo é que, ao reduzir o custo das dívidas e facilitar o pagamento, seja possível conter o avanço da inadimplência e estimular o consumo das famílias, com reflexos na atividade econômica.
*Estagiária sob supervisão