São Paulo (SP) 28/03/2024 - Diretor de Politica Economica Diogo Guillen, na apresentação do Relatorio da Inflação, no Banco Central em São Paulo
Paulo Pinto/Agência Brasil
São Paulo (SP) 28/03/2024 - Diretor de Politica Economica Diogo Guillen, na apresentação do Relatorio da Inflação, no Banco Central em São Paulo

O Itaú Unibanco anunciou na terça-feira (28) uma troca no comando de sua área de Pesquisa Econômica. A partir de 1º de julho, Diogo Guillen assume como novo economista-chefe do banco, após cumprir o período de quarentena.

O movimento também reacende o debate sobre a chamada “porta-giratória”, que envolve a migração de profissionais entre cargos no setor público e instituições privadas.

O economista deixou o  Banco Central em dezembro de 2025, após o fim de seu mandato, e passa a ocupar a função depois de cumprir os seis meses de afastamento exigidos para ex-presidentes e ex-diretores da instituição.

Antes disso, Guillen já havia integrado a área econômica da Asset do Itaú Unibanco, entre 2015 e 2021.

Ele substitui Mário Mesquita, que deixa o cargo agora no final do mês de abril, após quase uma década à frente das áreas de Macroeconomia e Research, posição que ocupava desde julho de 2016.

A saída de Mário Mesquita está relacionada à regra interna do banco que estabelece aposentadoria obrigatória para cargos de gestão aos 60 anos, idade recém-completada pelo executivo. Mesmo deixando a função, ele deve continuar próximo à instituição durante o período de transição, atuando como consultor nas frentes macroeconômicas.

Em comunicado, o Itaú destacou a contribuição de Mesquita para a consolidação da área de análise econômica, com foco no fortalecimento da equipe de macroeconomia e na reestruturação do research, além do reconhecimento obtido junto a clientes no Brasil e no exterior.

Regra de quarentena

A legislação prevê um período de seis meses de afastamento para ex-diretores do Banco Central antes de assumirem cargos no setor privado, como forma de evitar conflitos de interesse e o uso de informações privilegiadas.

A chegada de Guillen reforça a estratégia do Itaú de manter profissionais com forte experiência em política monetária à frente da análise econômica.

Conceito de porta-giratória

O termo “porta-giratória” refere-se ao trânsito de profissionais entre cargos estratégicos no Estado e posições de destaque no setor privado, especialmente em instituições financeiras. Esse fenômeno costuma ser alvo de críticas por levantar suspeitas sobre conflitos de interesse e captura regulatória, já que decisões tomadas no setor público podem beneficiar, direta ou indiretamente, empresas que passam a empregar esses mesmos agentes.

No caso de Guillen, sua ida do Banco Central para um dos maiores bancos privados do país ocorre pouco tempo após sua atuação em um dos postos mais influentes da política econômica nacional, o que intensifica questionamentos sobre os limites éticos e institucionais desse tipo de movimentação.

Embora a quarentena funcione como um mecanismo de mitigação, ela nem sempre elimina completamente os riscos associados à circulação de informações estratégicas e à influência acumulada durante o exercício de funções públicas.

*Estagiária sob supervisão

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