Vale a pena estudar por editais antigos?
EBC
Vale a pena estudar por editais antigos?

Quem inicia a preparação para um concurso público costuma ter dúvidas sobre a utilidade de estudar com base em um edital antigo. Para o doutor em Direito Constitucional, fundador do Instituto de Direito Real e especialista em concursos, Fernando Bentes, a orientação é clara: vale sim. Segundo ele, até que um novo documento seja publicado, o edital anterior é a principal referência para organizar os estudos.

Fernando explica que os editais anteriores servem como principal referência para quem está se preparando para um concurso que ainda será lançado. Ele afirma que é a partir desse documento que o candidato identifica as diretrizes da seleção, especialmente as disciplinas cobradas, que costumam sofrer poucas alterações de um certame para outro.

Assim, é possível iniciar os estudos com foco nas matérias que, muito provavelmente, voltarão a aparecer no novo edital.

Quando o concurso é oficialmente anunciado e a banca organizadora definida, a orientação é alinhar a preparação ao perfil da instituição escolhida.

O especialista também ressalta que após a publicação do novo edital, o ideal é direcionar totalmente os estudos para o conteúdo previsto no novo documento, priorizando as disciplinas listadas e resolvendo questões da banca responsável pela prova.

Disciplinas mais recorrentes em concursos

Concurso público, prova, teste, vestibular
shutterstock
Concurso público, prova, teste, vestibular

Segundo o especialista, as matérias que costumam apresentar maior estabilidade ao longo dos anos são, principalmente, as de ciências exatas e naturais, como raciocínio lógico e Física.

Como essas áreas passam por poucas mudanças conceituais, o conteúdo exigido tende a se repetir de um edital para outro. Ele também destaca que Administração e Contabilidade geralmente mantêm um padrão semelhante de cobrança.

Em contrapartida, disciplinas das ciências humanas, como Direito, sofrem alterações com mais frequência, seja por atualizações na legislação, seja por novas interpretações jurídicas. Nesses casos, é importante que o candidato esteja atento às possíveis novidades.

Quanto à Língua Portuguesa, embora pertença ao campo das ciências humanas, não passa por grandes mudanças na gramática ou na sintaxe exigida de um concurso para outro. Ele ainda aconselha que o concurseiro dedique uma atenção especial durante os estudos em relação a interpretação de texto.

Mas afinal, existem riscos em estudar por um edital antigo?

Para quem teme concentrar os estudos em editais antigos, Fernando Bentes avalia que o risco é mínimo . Segundo ele, o conteúdo cobrado costuma sofrer poucas alterações, o que torna essa estratégia segura até a publicação de um novo documento.

O especialista explica que é raro uma instituição modificar radicalmente as disciplinas exigidas, pois isso indicaria um grande erro no edital anterior ou no atual. Em geral, existe algumas repetição de matérias cobradas, mas com eventuais ajustes, como a inclusão ou retirada de algum conteúdo.

O que normalmente se altera é o enfoque e o peso atribuído a cada disciplina, segundo Fernando Bentes. Como exemplo, ele cita os concursos da área bancária, como os do Banco do Brasil, que passaram a valorizar mais a área de Informática devido à digitalização dos serviços financeiros. Dessa forma, a disciplina acabou ganhando maior relevância, já que o profissional passa a atuar em um ambiente virtual.

Assim, embora possam ocorrer algumas mudanças na importância relativa de cada matéria, o conjunto de conteúdos tende a permanecer basicamente o mesmo. Por isso, estudar com base no edital anterior continua sendo uma preparação válida e estratégica para o candidato.

Como usar provas antigas como forma estratégica na preparação?

Como usar provas antigas como forma estratégica na preparação?
Reprodução/ Freepik
Como usar provas antigas como forma estratégica na preparação?

Questionado sobre como utilizar as provas anteriores como forma estratégica na preparação , Fernando Bentes aconselha que resolver questões de concursos anteriores é uma etapa importante para o candidato.

O especialista ressalta que o ideal é que o candidato comece a estudar pelas provas da própria instituição para a qual pretende concorrer. Caso esgote esse material, pode ampliar os estudos para exames de órgãos semelhantes, que costumam exigir conteúdos próximos.

Como exemplo, ele cita os candidatos que se preparam para a  Polícia Civil de um estado e que podem recorrer às provas de outras polícias civis, já que, embora existam diferenças pontuais, as disciplinas cobradas tendem a ser parecidas. O mesmo vale para áreas específicas, como a de fiscal: utilizar exames aplicados em diferentes estados aumenta o repertório de questões e fortalece o treinamento.

Quando a banca organizadora já estiver definida, a orientação é priorizar as provas elaboradas por ela. Cada banca possui estilo próprio, nível de exigência e abordagem característicos, e é importante que o candidato se familiarize com esse perfil.

Se a organizadora ainda não tiver sido escolhida, vale observar o histórico da instituição. Caso haja uma tendência de contratação recorrente da mesma banca, faz sentido concentrar esforços nela. Se houver alternância frequente, o recomendado é praticar questões das principais bancas do país, evitando focar em instituições com pouca probabilidade de organizar o certame.

    Comentários
    Clique aqui e deixe seu comentário!

    Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie.

    Mais Recentes