CDI, CDB e Tesouro Direto: como funciona cada investimento
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CDI, CDB e Tesouro Direto: como funciona cada investimento

Investir vai muito além de escolher a aplicação que promete maior rentabilidade. Antes de decidir onde colocar o dinheiro, é importante entender características como o prazo para resgatar o valor (liquidez), nível de risco e a forma de rendimento. 

A seguir, você confere os principais pontos sobre como funcionam investimentos atrelados ao CDI, o CDB e o Tesouro Direto, três alternativas bastante comuns no mercado brasileiro e que atendem a perfis e estratégias diferentes.

Certificado de Depósito Interbancário (CBI)

Certificado de Depósito Interbancário (CBI)
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Certificado de Depósito Interbancário (CBI)

O Certificado de Depósito Interbancário ( CDI) é um título emitido por bancos para viabilizar empréstimos de curtíssimo prazo entre instituições financeiras. Ele se tornou uma das principais referências do mercado brasileiro, pois está diretamente ligado à Taxa DI, indicador que influencia a rentabilidade de  aplicações como CDBs, LCIs, LCAs e fundos de renda fixa.

O CDI é um indicador importante no mercado financeiro, já que orienta o rendimento de diferentes aplicações de renda fixa. No entanto, é importante comparar taxas e produtos para garantir que o investimento atenda às necessidades financeiras de cada indivíduo.

Segundo o economista Cícero Pimenteira, no passado quando o uso de cheques e outras operações bancárias era mais comum, o CDI era mais conhecido do público. Hoje, ele funciona principalmente como uma referência para avaliar o nível dos juros no Brasil  em relação à taxa Selic.

Segundo o economista, o CDI representa a média dos juros cobrados nos empréstimos feitos entre bancos. Por isso, quando um investimento rende acima do CDI, significa que está oferecendo um retorno considerado bom em comparação ao padrão do mercado.

Como funciona o CDI?

Para cumprir as regras do Banco Central e garantir liquidez, os bancos precisam encerrar o dia com saldo positivo em caixa. Quando uma instituição não atinge esse equilíbrio, recorre a empréstimos de curtíssimo prazo junto a outras instituições financeiras por meio dos CDIs. Essas operações, que normalmente duram um dia útil, costumam ter juros próximos à taxa Selic.

A média das taxas cobradas nessas transações diárias forma a chamada Taxa DI, utilizada como parâmetro para diversos investimentos. Por isso, qualquer oscilação nessa taxa impacta diretamente aplicações de renda fixa pós-fixadas: se a Selic sobe, o CDI tende a subir também, elevando a rentabilidade, porém se a Selic cai, o movimento é acompanhado, reduzindo os ganhos.

Vantagens e desvantagens 

Entre as vantagens de investir em produtos vinculados ao CDI estão o baixo risco e a possibilidade de acompanhar as oscilações do cenário econômico, já que a taxa costuma refletir as decisões de política monetária. 

Por outro lado, em períodos de juros reduzidos, os ganhos podem ser mais modestos. Além disso, determinadas aplicações estão sujeitas à cobrança de Imposto de Renda, conforme a tabela regressiva, e de  IOF em resgates realizados em menos de 30 dias.


Certificado de Depósito Bancário (CDB) 

Existem três tipos de CDB disponíveis no mercado: pós-fixado, prefixado e indexado a uma inflação
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Existem três tipos de CDB disponíveis no mercado: pós-fixado, prefixado e indexado a uma inflação

O Certificado de Depósito Bancário ( CDB) é um dos investimentos de renda fixa mais populares e adquiridos entre pessoas físicas no mercado brasileiro, além de ser uma fonte de captação de recursos financeiros para os bancos. 

Para quem investe, os principais atrativos são a possibilidade de liquidez diária e a cobertura do Fundo Garantidor de Crédito ( FGC). O risco de quem adquire um CDB está diretamente associado à solidez de seu emissor, uma instituição financeira.

As características do CDB são determinadas no momento de sua contratação. Na ocasião, já ficam definidos o prazo e a forma de remuneração, que pode ser prefixada ou pós-fixada, geralmente atrelada à Taxa DI.

Além disso, aplicações acima de R$ 5 mil, emitidas pela mesma instituição no mesmo dia para o mesmo investidor, devem ser registradas em câmara de ativos com identificação do titular.

Segundo Pimenteira, o CDB é um título que os bancos emitem para captar recursos no mercado. Quando uma pessoa física ou uma empresa compra um CDB, na prática “é como se emprestasse o dinheiro ao banco”.

Em troca, a instituição utiliza esse valor para ganhar liquidez e depois devolve o montante aplicado com juros. Essa rentabilidade pode ser prefixada (com taxa definida no início), pós-fixada (atrelada a um índice de juros) ou híbrida, combinando uma taxa fixa com outra variável.

O especialista lembra ainda que, em casos recentes como o do Banco Master, muitos investidores deram mais atenção às opções pós-fixadas do que às prefixadas ou híbridas, o que evidencia a importância de avaliar cuidadosamente o perfil e as condições do emissor.

Tesouro Direto 

Tesouro Direto
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Tesouro Direto

Já em relação ao Tesouro Direto, Cícero Pimenteira explica que ele reúne títulos públicos emitidos pelo governo federal. E ao investir nesse tipo de aplicação, a pessoa está, na prática, emprestando dinheiro ao governo, que utiliza esses recursos para financiar obras, projetos e despesas públicas.

Como o emissor é o próprio governo, o risco é considerado baixo, já que há a garantia de pagamento por parte da União.

Ele destaca que esses títulos costumam ser mais indicados para objetivos de longo prazo, já que nem sempre a liquidez é tão imediata quanto a de outras aplicações. O Tesouro Direto está ligado à taxa básica de juros, a Selic, o que o torna mais atrativo quando os juros estão altos.

Porém, ele explica que apesar dos títulos do Tesouro Direto oferecerem liquidez, podem registrar perdas caso sejam resgatados antes do vencimento. Por isso, a orientação é manter o investimento até o prazo final para evitar prejuízos.

Normalmente os títulos do Tesouro oferecem rendimento prefixado, ou seja, o investidor sabe no momento da aplicação quanto vai ganhar na hora do resgaste do título. Além disso, ele rende o  IPCA  acrescida de uma taxa de juros real. Por isso, muitas pessoas utilizam esse investimento como estratégia para aposentadoria ou planejamento de longo prazo.

Pimenteira lembra ainda que a emissão de títulos é uma prática comum em diversos países, como Estados Unidos, Brasil e China, e que, no caso brasileiro, as taxas mais altas costumam atrair investidores, inclusive estrangeiros, interessados na rentabilidade oferecida pelos papéis do Tesouro Nacional.

Orientações que devem ser seguidas por investidores iniciantes 

Negociação
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Negociação

O economista orienta que investidores iniciantes priorizem opções mais simples e seguras. Para quem está começando, Cícero Pimenteira afirma que a recomendação é procurar o gerente do banco e aplicar em um CDB oferecido por instituições consolidadas.

Já quem tem mais experiência pode avaliar alternativas de bancos menores, mas com cautela. Ele cita o caso do Banco Master como exemplo de risco, que resultou em prejuízos para muitos investidores.

Pimenteira ainda reforça que o Tesouro atrelado à Selic é indicado principalmente como reserva de emergência, por oferecer liquidez e baixo risco. Há ainda outras possibilidades, como Tesouro IPCA e títulos prefixados, que podem ser combinados de acordo com o perfil do investidor.

No entanto, essas escolhas exigem maior conhecimento e maturidade financeira. Para quem busca segurança, ele reforça a importância de optar por bancos líderes ou títulos públicos.

O especialista também alerta que investimentos com alta liquidez podem gerar perdas se o resgate ocorrer antes do prazo. Ao retirar o dinheiro antecipadamente, o investidor abre mão da rentabilidade prevista e ainda pode arcar com custos como imposto de renda e IOF.

Ele resume a orientação em três pontos principais. Primeiro, é fundamental compreender onde o dinheiro está sendo aplicado.  “Então, busque informações no banco e entenda. Quanto mais simples for o seu entendimento, maior vai ser a sua segurança”, aconselha.

Para quem dispõe de pouco capital, a dica é priorizar aplicações que não cobrem multa por resgate antecipado. Por fim, recomenda evitar promessas de ganhos fáceis e elevados, como bancos ou investidores recém-chegados que prometem ganhos elevados com discursos persuasivos, comparáveis a “vender água no deserto”.

De acordo com Pimenteira, esse tipo de proposta geralmente não é confiável e podem acabar prejudicando o investidor.

“Então em resumo, fuja de quem te apresenta rendimento alto, que não te explica direito e que não tem um histórico de mercado", conclui.

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