
Em meio à pressão sobre vendas e custos de insumos, a Heineken anunciou nesta segunda-feira (12) que seu CEO e presidente do conselho executivo, Dolf van den Brink, deixará o cargo em 31 de maio de 2026.
O executivo permanece na função até a data, enquanto o grupo inicia um processo formal de sucessão.
Van den Brink assumiu o comando da cervejaria em junho de 2020, no auge da pandemia de Covid-19, e liderou a empresa por quase seis anos.
Segundo a companhia, ele seguirá como consultor por oito meses a partir de junho de 2026, apoiando a transição e a continuidade estratégica.
A saída ocorre em um momento de deterioração do ambiente operacional para grandes fabricantes de bebidas.
A Heineken enfrenta aumento persistente dos custos de produção e desaceleração nas vendas, fatores que pressionaram as margens de lucro e impactaram o desempenho das ações nos últimos trimestres.
Além do cenário macroeconômico, a empresa é afetada por mudanças estruturais no consumo.
Pesquisa anual da Gallup indica queda contínua no consumo de álcool nos Estados Unidos: 54% dos adultos relataram beber em 2025, ante 58% em 2024 e 62% em 2023.
A tendência é mais forte entre jovens, grupo-chave para o crescimento de longo prazo do setor.
Estratégia mantida para novo líder
Atualmente, a estratégia EverGreen 2030, lançada há poucos meses, orienta os planos de crescimento, eficiência operacional e posicionamento de marcas da companhia.

O conselho de supervisão informou que a escolha do próximo CEO terá como prioridade a continuidade dessa agenda.
Em comunicado, Van den Brink afirmou que a mudança ocorre em um momento em que a transformação do grupo entra em uma nova fase e que seguirá focado na execução da estratégia até o fim do mandato.
“Nos próximos meses, permanecerei totalmente focado na execução disciplinada de nossa estratégia e em garantir uma transição tranquila”, disse.
Durante sua gestão, a Heineken atravessou um período marcado por inflação de custos, volatilidade cambial e impactos geopolíticos sobre cadeias globais de suprimento.
O presidente do conselho de supervisão, Peter Wennink, afirmou que a sucessão planejada busca assegurar uma liderança sólida para a próxima fase da companhia, com foco na execução das metas já estabelecidas.
Impacto para o mercado
A saída programada reduz incertezas no curto prazo ao dar previsibilidade ao processo de transição em um grupo com operações em mais de 190 países.
Para investidores e analistas, o principal ponto de atenção passa a ser o perfil do sucessor e o grau de continuidade na disciplina financeira e na estratégia de crescimento adotadas nos últimos anos.
Até a definição do novo CEO, a empresa afirmou que não haverá mudanças na condução do negócio nem na estratégia em vigor.
O Portal iG procurou a assessoria de imprenda da Heineken, que respondeu em nota:
"Após quase seis anos à frente da empresa, durante os quais a guiou por tempos econômicos e políticos turbulentos, e com a Estratégia EverGreen 2030 em vigor, Dolf concluiu, em consulta com o Conselho de Supervisão, que este é o momento certo para passar o bastão.
A Estratégia EverGreen 2030, suas prioridades e planos permanecem inalterados. Passamos agora à execução disciplinada de nossas ambições de crescimento e à concretização dos nossos objetivos.
Não há alterações nas projeções ou metas financeiras decorrentes deste comunicado. Quaisquer atualizações serão comunicadas por meio do nosso ciclo normal de divulgação."