PEC Eleitoral deve injetar R$ 16,3 bilhões no varejo, diz CNC
Ivonete Dainese
PEC Eleitoral deve injetar R$ 16,3 bilhões no varejo, diz CNC

A chamada Proposta de Emenda à Constituição (PEC) Eleitoral, aprovada nesta quarta-feira (13) pelo Senado, deve injetar R$ 16,3 bilhões no comércio varejista, projeta a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). As estimativas da entidade para o setor são positivas no curto prazo, o que levou à revisão da previsão de variação do volume de vendas no varejo em 2022 de +1,7% para +2,0%.

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A avaliação da confederação é de que os ramos de hiper, super e minimercados (R$ 5,53 bilhões); combustíveis e lubrificantes (R$ 3,03 bilhões) e lojas de tecidos, vestuário e calçados (R$ 2,32 bilhões) sejam os mais beneficiados pela aprovação total da PEC. O texto agora aguarda sanção do presidente Jair Bolsonaro (PL).

A proposta deve custar cerca de R$ 41,8 bilhões aos cofres públicos, permitindo aumentar o benefício do Auxílio Brasil de R$ 400 para R$ 600 e dobrar o valor do vale-gás. "Se, por um lado, essas iniciativas prolongam pressões inflacionárias; por outro, no curto prazo, ajudam a recompor a renda das famílias, dando fôlego às vendas no varejo", pondera o presidente da CNC, José Roberto Tadros.

Mas a PEC Eleitoral também apresenta potenciais efeitos reversos, lembra o economista responsável pela pesquisa, Fabio Bentes. "Essa movimentação pode provocar impacto negativo sobre as vendas no médio prazo, especialmente em decorrência do prolongamento do aperto monetário", afirma.

Ele aponta que, em sua próxima reunião, o Comitê de Políticas Monetárias (Copom) do Banco Central deve aumentar a taxa básica de juros em 50 pontos base, elevando a Selic para 13,75% ao ano. "Tal efeito poderá gradualmente neutralizar os efeitos positivos decorrentes da PEC", acrescenta o especialista.

Aumento das vendas

O volume de vendas no comércio varejista brasileiro cresceu 0,1% em maio, de acordo com a Pesquisa Mensal de Comércio (PMC), divulgada nesta quarta pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). É o quinto aumento seguido, mas o resultado é abaixo da expectativa da CNC, que projetava alta de 0,4% para o mês.

Mesmo assim, apesar do cenário econômico ainda desafiador para consumidores e varejistas por conta da inflação e dos juros elevados, para a confederação, do ponto de vista do comportamento dos preços no curto prazo, maio foi marcado por trégua no IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo).

Em maio, o índice atingiu 0,47%, uma desaceleração em relação a abril, quando a taxa chegou a 1,06%. Compõe ainda esse cenário a evolução do mercado de trabalho que, a despeito do aumento do nível de ocupação, sofreu com a queda de 6,2% no rendimento real no trimestre encerrado em maio de 2022 ante o mesmo período do ano passado.

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