Caminhoneiros veem Guedes como 'culpado por caos' e ameaçam nova greve
MARCELLO CASAL JR./AGÊNCIA BRASIL
Caminhoneiros veem Guedes como 'culpado por caos' e ameaçam nova greve

A Associação Brasileira de Condutores de Veículos Automotores (Abrava) voltou a criticar as medidas anunciadas pelo governo federal para tentar frear os preços dos combustíveis. Em nota, a categoria disse que o projeto que limita a cobrança de ICMS sobre combustíveis, energia elétrica, comunicações e transporte público em até 17%,  aprovado nesta semana pelo Senado, é ineficaz e não deve ter efeito nenhum sobre os preços aplicados aos consumidor final.

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Os caminhoneiros veem o ministro da Economia, Paulo Guedes, como o "grande culpado deste caos" e avaliam que a gestão de Jair Bolsonaro (PL) falhou em "não ter reestruturado a Petrobras no início do governo". 

"O governo se acomodou e, por ironia do destino, o ministro apelidado de posto Ipiranga, que deveria resolver esse problema, é o grande culpado deste caos, e hoje chegamos a este ponto crítico, sendo que ainda temos sérios riscos de falta de diesel", afirmou a Abrava. "Muitas especialistas afirmam que esse problema tem soluções viáveis, mas está claro que essa não é a prioridade, o que vemos é um governo desesperado".

Para a categoria, o que se tem com o chamado "teto do ICMS" é uma "diminuição temporária que, talvez, seja suficiente para reduzir o valor por dois ou três meses" e a depender da frequência com que a Petrobras anunciará novos reajustes. 

Na semana passada, a Petrobras sinalizou que os preços dos combustíveis podem voltar a subir, sob risco de desabastecimento. Em comunicado divulgado à imprensa, a petroleira disse que com a aceleração da recuperação econômica no segundo semestre de 2021 e a guerra na Ucrânia, "tem-se observado aumento dos preços e maior volatilidade nas cotações internacionais de commodities energéticas, em especial, do óleo diesel".

A companhia ponderou que o diesel tende a ficar mais pressionado nos próximos meses em função de: (1) aumento sazonal da demanda mundial no segundo semestre; (2) menor disponibilidade de exportações russas pelo prolongamento e agravamento de sanções econômicas ao país; e (3) eventuais indisponibilidades de refinarias nos Estados Unidos e no Caribe com a temporada de furacões de junho a novembro.

"Portanto, não há fundamentos que indiquem a melhora do balanço global e o recuo estrutural das cotações internacionais de referência para o óleo diesel".

Dados mais recentes da Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom) revelam que a defasagem da gasolina e do diesel em relação aos preços praticados no mercado internacional está na casa de 17% e 16%, respecticamente.

A Abrava disse estar ciente disso. "Sabemos que a Petrobras deve anunciar novos aumentos para a gasolina e para o diesel, respectivamente 17% e 16%, em breve. Ora, não precisa ser um economista para chegar à conclusão que 2 ou 3 aumentos consumirão toda redução que se pretende fazer por meio dos tributos, correndo o risco de os litros desses combustíveis ficarem ainda mais caros do que são hoje".

Segundo a associação, a situação é ainda pior para os caminhoneiros autônomos, que atuam como prestadores de serviços e não são funcionários de uma empresa específica. Isso porque eles não conseguem repassar os gastos com combustível para os custos do frete, já que este é definido por outros agentes da cadeia, como empresas de transporte e embarcadores. 

A Abrava voltou a criticar a política de preços da Petrobras e ameaçou realizar uma nova greve. "De uma forma ou de outra, mantendo-se essa política cruel de preços da Petrobras, sem a garantia que o caminhoneiro autônomo tenha suas despesas de viagem integralmente ressarcidas, a categoria vai parar. Se não for por greve, será pelo fato de se pagar para trabalhar. A greve é o mais provável e não demora muito", declarou.

** Gabrielle Gonçalves é jornalista em formação pela Universidade Estadual Paulista (Unesp). Estagiária em Brasil Econômico. No iG desde agosto de 2021, tem experiência em redação e em radiojornalismo, com passagens pela Rádio Unesp FM e Rádio Metropolitana 98.5 FM.

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