Com leilão marcado, veja os principais grupos que devem disputar o aeroporto de Congonhas
Rovena Rosa/Agência Brasil
Com leilão marcado, veja os principais grupos que devem disputar o aeroporto de Congonhas

A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) marcou para 18 de agosto, na Bolsa de São Paulo (B3), o leilão da 7ª rodada de concessões de aeroportos. A rodada inclui o aeroporto de Congonhas, em São Paulo, o mais movimentado do país, e outros 14 terminais das regiões Norte, Sudeste e Centro-Oeste.

Juntos, os aeroportos da 7ª rodada respondem por 16% do mercado doméstico e devem atrair para o leilão as principais concessionárias já em atuação no país e estrangeiras. 

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O aeroporto Santos Dumont, no Centro do Rio, estava originalmente nesta rodada, mas foi retirado. O governo decidiu leiloá-lo posteriormente com a nova concessão do Galeão, também no Rio.

Congonhas será concedido em um bloco com outros dez aeroportos: Campo Grande, Corumbá e Ponta Porã, no Mato Grosso do Sul; Santarém, Marabá, Parauapebas e Altamira, no Pará; Uberlândia, Uberaba e Montes Claros, em Minas Gerais. O lance mínimo é de R$ 740,1 milhões, com investimentos previstos de R$ 11,6 bilhões.

Interesse de operadores

A rodada inclui ainda um bloco de aeroportos de aviação executiva, formado por Campo de Marte, em São Paulo, e Jacarepaguá, no Rio. O lance mínimo para os dois é de R$ 141,4 milhões, com investimentos de R$ 1,7 bilhão. Também serão leiloados aeroportos de Belém (PA) e Macapá (AP). O lance mínimo para o bloco dos dois é de R$ 56,9 milhões, com aportes de R$ 1,9 bilhão ao longo do contrato.

É esperada a participação de empresas especializadas no setor como a espanhola Aena, a alemã Fraport, a suíça Zurich Airport e a francesa Vinci Airports, atraídas principalmente por Congonhas, segundo fontes ouvidas pelo GLOBO que acompanham as conversas entre investidores e o governo. Todas já atuam no país. Não há notícias de outras estrangeiras interessadas. 

Entre os brasileiros, devem participar a CCR — que foi a grande vencedora da 6ª rodada ao arrematar 15 dos 22 leiloados, em abril do ano passado — o fundo Pátria e a Socicam, que no ano passado levou 11 terminais em um leilão restrito ao interior de São Paulo, em julho de 2021.

"O bloco SP/MS/PA/MG deve ser o mais concorrido em razão de ter Congonhas, uma das “joias da coroa” da Infraero. Além da vocação para hub de voos domésticos, há a expectativa de internacionalização desse aeroporto no futuro próximo, o que permitirá a operação de voos internacionais regulares e de aviação executiva", diz Fernando Villela, sócio do escritório de advocacia VPBG e coordenador do Comitê de Regulação de Infraestrutura Aeroportuária da FGV Direito Rio. 

Ele observa ainda que Congonhas acaba sendo origem ou destino das principais rotas brasileiras, o que abre espaço para mais alternativas de exploração de receitas não-tarifárias, como hotel e shopping, por exemplo.

Para o bloco de aviação executiva no Rio e em São Paulo, a expectativa do governo é que grupos nacionais, de perfil diferente dos grandes operadores, possam ser atraídos. Pátria e Socicam são citados como candidatos. A dobradinha entre o Pátria e o Fundo Soberano de Cingapura (GIC, na sigla em inglês), que se uniram para arrematar estradas em São Paulo, pode se repetir no novo leilão de aeroportos, embora o Pátria tenha demonstrado interesse em participar da concessão do Porto de Santos.

Consórcios de pequenas empresas também podem disputar Jacarepaguá e Campo de Marte. O negócio interessaria também ao grupo JHFS, do setor imobiliário, que já administra o aeroporto Catarina, em Jundiaí (SP), focado em aviação privada, observou uma das fontes.


No início de maio, o ministro da Infraestrutura, Marcelo Sampaio, visitou bancos e fundos de investimento nos EUA para apresentar os aeroportos e atrair investidores. Acompanhado do secretário nacional de Aviação Civil, Ronei Glanzmann, ele buscou demonstrar que os projetos têm nova modelagem, com contratos menos burocráticos.

No entanto, uma fonte do setor observa que as mudanças de última hora, como a que tirou o Santos Dumont do leilão, pode afastar particularmente empresas que ainda não atuam no Brasil. 

A mesma fonte afirma que grandes fundos que já investem aqui, como o Mubadala, dos Emirados Árabes, e os fundos de pensão canadenses, preferem entrar em ativos já em operação, comprando as concessionárias, em vez de disputar diretamente os leilões.

Um executivo do setor lembra que os grandes grupos estrangeiros que operam aeroportos no país costumam “esconder o jogo” sobre seus interesses, mas o custo de oportunidade oferecido por Congonhas deverá atrair a maior parte deles para a disputa.

Veja quem são os principais candidatos ao leilão

  • - A espanhola Aena, desde o começo de 2020, administra a concessão de seis aeroportos da região Nordeste: Recife (PE), Juazeiro do Norte (CE), João Pessoa (PB), Campina Grande (PB), Aracaju (SE) e Maceió (AL).
  • - A Fraport Brasil é subsidiária da Fraport AG Frankfurt Airport Services Worldwide e uma das empresas líderes no mercado global de aeroportos. No Brasil, é responsável pela concessão dos aeroportos de Porto Alegre e Fortaleza.
  • - A Zurich Airport Brasil, é uma empresa do grupo Zurich Airport, que tem 100% da operação dos aeroportos de Florianópolis, Macaé e Vitória.
  • - A francesa Vinci Airports administra oito aeroportos. Desde 2017 é a gestora do Aeroporto Internacional de Salvador (Salvador Bahia Airport) e em 2021 ganhou a concessão de sete empreendimentos na região Norte do Brasil: Manaus (AM), Porto Velho (RO), Boa Vista (RR), Rio Branco (AC), Tefé (AM), Tabatinga (AM) e Cruzeiro do Sul (AC), ao lado da CCR.
  • - O Grupo CCR levou dois dos três blocos de aeroportos da 6ª rodada. Os blocos arrematados pelo grupo eram o de maior potencial turístico. A CCR vai administrar nove terminais localizados na região Sul, incluindo o aeroporto de Curitiba, o mais cobiçado do certame, e seis no Centro-Oeste e Nordeste, sendo o de Goiânia o principal.

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