Cesta básica no Rio é mais cara do país. O custo chega a R$ 842,42, segundo pesquisa da FGV
Reprodução/iG Minas Gerais
Cesta básica no Rio é mais cara do país. O custo chega a R$ 842,42, segundo pesquisa da FGV

O valor médio da cesta de consumo básica de alimentos de março aumentou em relação ao mês anterior em todas as oito capitais analisadas, com aumentos que variam de 1,6 a 5,5%. A pesquisa é feita mensalmente pela plataforma Cesta de Consumo Horus e FGV IBRE.

A cesta mais cara foi a do Rio de Janeiro (R$ 842,42), seguida pelas de São Paulo (R$ 804,58) e Fortaleza (R$ 722,41). Por outro lado, as capitais Belo Horizonte (R$ 561,88, Manaus (R$ 617,61) e Brasília (R$ 658,96) registraram os menores valores.

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As maiores altas foram registradas em Curitiba (5,5%), Manaus (4,1%) e Brasília (2,7%), em relação aos valores de fevereiro. As capitais Fortaleza e Salvador apresentaram as menores altas, com 1,6% e 1,9%, respectivamente, ainda assim significativas, considerando que a variação se refere ao período de apenas um mês.

A variação acumulada no valor da cesta básica, nos últimos 6 meses, foi diferente entre as capitais, variando de 6,3% no Rio de Janeiro e alcançando 17,2% em Curitiba.

Legumes e ovos têm as maiores altas

Os grupos de produtos que apresentaram aumento de preço mais expressivo na cesta básica, em todas as capitais, foram os legumes (representados por batata, cebola e cenoura), seguidos de ovos, óleo de soja, arroz e feijão.

Os legumes, novamente, foram o grande vilão do mês, apresentando variação de preços de cerca de 18% em Salvador, Fortaleza e Belo Horizonte, pressionados, principalmente, pelo aumento de preço da cenoura, que tem sido impactado pelas fortes chuvas que prejudicaram a colheita nas principais cidades produtoras no início do ano.

O aumento do preço dos ovos é consequência, principalmente, de dois fatores. Um deles é a alta procura do produto, como uma alternativa de proteína mais econômica, em função do aumento de preço das carnes. Outro fator é o aumento dos custos de produção, em especial do milho, usado na ração para alimentar as galinhas, que tem apresentado alta de preços como reflexo de fatores climáticos, como as geadas e estiagem, que ainda prejudicam algumas regiões.

O preço do óleo de soja, por sua vez, ainda sofre impactos pela quebra de safra devido à estiagem no Sul do Brasil. Além disso, houve quebra de safra do óleo de palma na Ásia, reduzindo no Brasil a oferta de óleo de dendê, mais consumido por ser mais barato.

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Efeitos da guerra

Segundo os pesquisadores, a guerra resultou em menor oferta de óleo de girassol, dado que a Ucrânia e a Rússia respondem por 77% da exportação desse produto. Com a redução de oferta dos óleos de palma e de girassol, houve aumento significativo da demanda mundial por óleo de soja, levando seu preço às alturas. Junta-se a isto o crescente interesse por biodiesel, que tem o óleo de soja como a principal matéria-prima, devido à alta no preço internacional do petróleo.

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Os problemas climáticos também têm sido o principal motivo de aumento de preço do feijão, devido à quebra de safras e consequente redução da oferta no mercado. Já o aumento do preço do arroz deve-se, principalmente, ao aumento dos custos de produção, devido à alta de preços dos insumos utilizados na lavoura.

Pão e trigo em alta

Outros alimentos também apresentaram alta de preços, na maior parte das capitais: frutas, verduras, leite UHT, pão, farinha de trigo.

Preços de pão e farinha de trigo já começam a sentir os impactos do aumento internacional do preço do trigo, decorrente da guerra entre Ucrânia e Rússia, que são grandes exportadores do produto.

O aumento do preço de leite também é consequência da guerra, cujo preço no mercado internacional alcançou o maior patamar dos últimos anos, com oferta global limitada. Além disso, o aumento do preço de insumos tem elevado o custo de produção do leite, especialmente do milho e da soja, que registraram forte valorização devido à quebra da safra brasileira.

O aumento de frutas e verduras, por sua vez, é reflexo das condições climáticas, especialmente das fortes chuvas que atingiram o Espírito Santo, Minas Gerais e o sul da Bahia desde o fim de 2021, atrapalhando a colheita desses produtos, seguindo a mesma tendência de alta de preços dos legumes.

Ainda segundo a pesquisa, mesmo com a estabilidade dos fatores climáticos ao longo do ano, a guerra também deve contribuir para que os preços desses produtos, que vêm das lavouras do campo, se mantenham altos.

“A Rússia é um dos principais exportadores de fertilizantes do mundo, e o Brasil depende fortemente daquele país para o fornecimento de matérias-primas para fertilizantes utilizados em lavouras do país, o que tende a aumentar os custos de produção e, consequentemente, Rio de Janeiro, 4 de abril de 2022. a pressionar os preços de legumes, frutas e verduras para cima”, diz Luiza Zacharias, Diretora de novos negócios da Horus.

Alguns produtos também apresentaram tendência de queda nos preços. É o caso do açúcar, batata congelada, creme de leite, frango e requeijão, que tiveram redução no preço médio em diversas capitais.

Cesta ampliada

Quando se considera a cesta de consumo ampliada, que inclui bebidas e produtos de higiene e limpeza, além de alimentos, houve um aumento no valor médio em sete das oito capitais analisadas, em relação ao mês anterior. As capitais que apresentaram valores mais altos da cesta ampliada foram Rio de Janeiro (R$ 1716,97) e São Paulo (R$ 1674,28). As maiores altas no valor da cesta ampliada foram registradas em Curitiba (4,1%), Manaus (3,1%) e Belo Horizonte (1,6%).

Na cesta ampliada, destaca-se a elevação de preços de produtos de higiene e limpeza em algumas das capitais pesquisadas, tais como água sanitária, amaciante para roupa, detergente líquido e sabonete.

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