Gestão da empresa busca em Brasília destravar projetos em parceria com Forças Armadas
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Gestão da empresa busca em Brasília destravar projetos em parceria com Forças Armadas

A greve dos funcionários da indústria de defesa Avibras, a principal do setor no Brasil, terminou na manhã desta terça-feira (22) depois de a empresa prometer estabilidade por dois meses a seus cerca de 1.000 funcionários.

A paralisação foi iniciada na segunda-feira na fábrica de Jacareí (SP) como uma reação à demissão, na sexta-feira, de 420 trabalhadores. A Avibras pediu recuperação judicial no mesmo dia em que realizou os cortes.

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Segundo a Avibras, a linha de produção de Jacareí, que ficou um dia paralisada, já voltou a funcionar na manhã desta terça. Em reunião com o Sindicato dos Metalúrgicos de São José do Campos na tarde de segunda-feira, a direção da Avibras se comprometeu a conceder dois meses de estabilidade no emprego aos trabalhadores.

Weller Gonçalves, presidente do sindicato, a entidade vai buscar cobrar junto ao governo federal medidas para estatizar a empresa, algo improvável. A Avibras é privada e controlada pela família Carvalho Leite.

Por sua vez, a gestão da Avibras vai buscar destravar em Brasília projetos já existentes da empresa em parcerias com as Forças Armadas e que não foram executados plenamente por cortes no orçamento destinado à defesa, segundo militares e pessoas familiarizadas com o tema.

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A Avibras foi fundada na década de 1960 e é a principal indústria de defesa do Brasil. Fabrica foguetes, blindados, softwares e míssil. O principal item de seu portfólio é o sistema de lançamento de foguetes Astros 2020, cujo alcance pode chegar a 300 km. A plataforma é considerada uma das melhores do planeta.

A companhia tem entre seus clientes as Forças Armadas brasileiras, mas cerca de 85% da sua receita vem de exportações, especialmente para países do Oriente Médio. Entre os clientes, estão os governos da Arábia Saudita e do Irã.

A empresa  acumula prejuízos nos últimos dois anos e tem endividamento de aproximadamente R$ 800 milhões, sendo R$ 394,8 milhões no âmbito da recuperação judicial. Há ainda um passivo de R$ 138,7 milhões não sujeito ao processo e mais dívidas com o fisco que somam R$ 273,1 milhões. 

O pedido de proteção contra a falência foi protocolado na sexta-feira no fórum de Jacareí, interior de São Paulo, onde a empresa possui uma fábrica. Na petição, a Avibras afirma que as exportações de equipamentos minguaram durante a pandemia.

É a segunda vez que a Avibras recorre a um processo de recuperação judicial para não falir. O primeiro processo durou de 2008 a 2010.

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