Dólar fechou abaixo dos R$ 5 pela primeira vez em nove meses
Felipe Moreno
Dólar fechou abaixo dos R$ 5 pela primeira vez em nove meses

O dólar comercial encerrou abaixo dos R$ 5 pela primeira vez desde junho do ano passado enquanto a Bolsa subiu nesta segunda-feira (21). Os ativos domésticos foram beneficiados pelo dia de alta de commodities importantes para o nosso mercado, como o petróleo e o minério de ferro.

A moeda americana terminou com baixa de 1,43%, negociada a R$4,9440. A última vez que a divisa tinha fechado a barreira dos R$ 5 foi em 30 de junho de 2021, quando terminou cotada a R$ 4,9728.

No ano, o dólar já apresenta queda de 11,32% ante o real.

O Ibovespa subiu 0,73%, aos 116.155 pontos. É o maior patamar de fechamento desde o dia 13 de setembro de 2021, quando o principal índice da B3 terminou no patamar dos 116.404 pontos.

No ano, o Ibovespa tem alta de 10,81%.

No pregão, os investidores seguiram acompanhando os desdobramentos das negociações entre Rússia e Ucrânia com mais tentativas frustradas para encerrar a guerra e repercutiram falas do presidente do Federal Reserve, Banco Central americano, Jerome Powell.

No exterior, as bolsas apresentaram quedas enquanto o petróleo teve forte alta, com receios sobre a oferta da commodity.

Commodities, fluxo e juros

O operador de câmbio da Fair Corretora, Hideaki Iha, destaca a alta das commodities, entre elas o petróleo e o minério de ferro, como um dos principais fatores responsáveis pela queda da divisa no dia.

"Nós somos produtores desses produtos e os juros também têm ajudado. A entrada de fluxo estrangeiro também continua positiva", explica.

Para Iha, a deterioração das expectativas para a inflação e o aumento das previsões de juros contidas no Boletim Focus, relatório semanal divulgado pelo Banco Central (BC), também influenciaram no movimento do pregão, já que reforçam a pedida por mais juros.

Vale destacar que o real já apresenta um desempenho positivo desde o início do ano. O Brasil vem se aproveitando de uma rotação de carteira dos investidores internacionais.

Eles têm procurado papéis de “valor”, como são conhecidas as empresas com histórico mais consolidado, entre elas as de commodities e bancos, setores com forte peso no índice brasileiro. 

A rotação ocorre pela perspectiva de elevação dos juros americanos, que prejudica papéis de "crescimento", como são chamadas as companhias que apostam em teses de crescimento futuro. Essas ações costumam ser as mais afetadas por um ambiente de alta nos juros.

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O movimento ajuda a trazer mais dólares para o nosso mercado e, por tabela, contribui na desvalorização da divisa.

Até o pregão do dia 17 de março, o fluxo estrangeiro no segmento secundário da B3, aquele com ações já listadas, estava positivo em R$ 75,231,5 bilhões.

Maio aperto a caminho

O presidente do Fed, Jerome Powell, voltou a dizer que o banco pode agir "rapidamente" para controlar a inflação alta, com o aumento de juros maiores do que o esperado, caso se faça necessário.

Em evento da Associação Nacional de Economia Empresarial, ele destacou que pode elevar a taxa básica em mais de 0,25 ponto percentual em uma ou mais reuniões.

"Há uma necessidade óbvia de agir rapidamente para retornar a postura da política monetária a um nível mais neutro e, em seguida, passar para níveis mais restritivos, se isso for necessário para restaurar a estabilidade de preços", disse Powell.

Sobre os efeitos da guerra, Powell ressaltou que os EUA estão mais aptos a resistir a um choque do petróleo agora do que na década de 1970.

Ele também disse que o risco está aumentando "de que um período prolongado de alta inflação possa empurrar as expectativas de longo prazo desconfortavelmente mais altas".

Mesmo assim, o presidente do Fed espera que a inflação caia para "perto de 2%" nos próximos três anos e que, embora um "aterrissagem suave" possa não ser simples, há muitos precedentes históricos.

Boletim Focus: mais inflação

Na cena interna, os agentes de mercado repercutiram as novas estimativas contidas no Boletim Focus.

As projeções para a inflação ao final deste ano subiram pela décima semana consecutiva, passando de 6,45% para 6,59%. O número é superior ao teto da meta do BC, que é de 5%.

Para o término de 2023, as estimativas passaram de 3,70% para 3,75%.

No caso da taxa básica de juros, as estimativas para o final deste ano subiram de 12,75% para 13% e, para o término de 2023, de 8,75% para 9%.

A previsão para o Produto Interno Bruto (PIB) para o final de 2022 teve alta de 0,49% para 0,50%. No entanto, houve recuo de 1,43% para 1,30% no final de 2023.

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