Bolsa cai e dólar opera em queda; petróleo cai abaixo de US$ 100
Felipe Moreno
Bolsa cai e dólar opera em queda; petróleo cai abaixo de US$ 100

A Bolsa fechou em queda na tarde desta terça-feira (15) em São Paulo, enquanto o dólar comercial subiu. Em meio a um pregão misto no exterior, os investidores monitoraram os desdobramentos da guerra na Ucrânia e a evolução dos casos de Covid-19 na China. Os preços do petróleo estão em forte queda e a cotação do barril caiu abaixo de US$ 100.

O Ibovespa cedeu 0,88%, aos 108.959 pontos. Além das quedas de empresas de commodities, o destaque negativo foi para o tombo dos papéis ordinários do Magazine Luíza após a divulgação de um balanço do quarto trimestre abaixo das expectativas do mercado.

As ações (MGLU3, com direito a voto) tombaram 8,63%, negociados a R$ 4,87.

A moeda americana teve alta de 0,77%, negociada a R$ 5,1587.

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"Tivemos uma correção dos preços de commodities e das empresas desse setor. No caso dos bancos, eles vêm com boa performance e você tem uma realização natural. Ainda há fluxo estrangeiro na compra, mas de papéis que não são de commodities. No entanto, o resgate dos investidores locais continua e isso acaba pesando", disse o gestor de renda variável da Western Asset, César Mikail.

Para Mikail, o real também sofre com a desvalorização das commodities. Ele acrescenta que o desempenho negativo da moeda na semana é natural, já que alguns investidores podem aproveitar para recompor posições nos mercados acionários americanos, que apresentam quedas no ano.

Além disso, a boa performance do real no ano faz com que a moeda sofra mais em momentos de ajuste.

Guerra e Covid-19

No exterior, crescem as preocupações com o avanço da Covid-19 na China, que derrubou as bolsas na Ásia e os preços de commodities importantes, como o petróleo e o minério de ferro.

O novo surto da doença fez o país decretar lockdown na cidade de Shenzhen,  importante polo financeiro e tecnológico, e gera medo entre os investidores de novas restrições sanitárias prejudiciais à atividade econômica.

Os agentes de mercado também aguardavam os resultados da quarta rodada de negociações entre a Rússia e a Ucrânia. A expectativa de um entendimento, ainda que parcial, entre os países chegou a dar fôlego para as bolsas na Europa na véspera.

Mas o porta-voz Kremlin disse, nesta terça-feira,  que é muito cedo para fazer previsões sobre os possíveis resultados das negociações entre a Rússia e a Ucrânia.

O conselheiro do chefe de gabinete do presidente ucraniano, Oleksiy Arestovich, por sua vez, afirmou que não espera que a guerra passe do início de maio.

Por outro lado, o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, afirmou que a Ucrânia não se tornará um pais-membo da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), uma das principais exgências de Moscou.

Após a fala, as bolsas americanas aceleraram suas altas enquanto, na Europa, as baixas arrefeceram.

"A derrocada das commodities e maior receio com a economia chinesa frente à reintrodução de lockdowns em regiões economicamente importantes promete mais uma sessão desafiadora para o Ibovespa", destacaram analistas da Guide Investimentos, em nota matinal.

Aumento de juros

No radar do mercado também estão as reuniões de política monetária no Brasil e nos Estados Unidos.

A expectativa é de elevação de 0,25% nos juros por parte do Federal Reserve, Banco Central americano, em uma tentativa de conter a inflação recorde no país.

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No caso brasileiro, o Comitê de Política Monetária (Copom) deve seguir o ritmo de elevações da Selic, ainda que em uma magnitude menor do que o 1,5 ponto percentual visto na última reunião.

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Ainda na cena interna, os investidores seguem de olho nas sinalizações do governo para tentar amenizar a alta dos preços dos combustíveis, o que vem aumentando a percepção de risco fiscal no mercado desde a semana passada e contribuiu para o fraco desempenho do real e do Ibovespa na véspera.

Magzine Luiza tomba após balanço

Encerrando a temporada de balanços das grandes varejistas, o Magazine Luíza apresentou resultados, mais uma vez, impactados pelo cenário macroeconômico desafiador.

O lucro líquido da empresa caiu 57,6% no quarto trimestre, para R$ 93 milhões ante os R$ 219,5 milhões registrados no mesmo período do ano anterior.

A receita líquida encolheu 6,6% na base anual, para R$ 9,4 bilhões. No consolidado do ano, o lucro cresceu 50,8%, para R$ 590,7 milhões, enquanto a receita somou R$ 42,98 bilhões, alta de 19% no comparativo com 2020.

No quarto trimestre, a varejista teve alta de 4,1% nas vendas totais, que inclui o digital e pontos físicos, para R$ 15,5 bilhões,

A venda on-line de itens da empresa subiu 0,9% e a venda de produtos de parceiros lojistas cresceu 60%.

No ano, as vendas totais somaram R$ 55,6 bilhões, alta de 27,8%, reflexo do aumento de 39,4% no e-commerce total e um crescimento de 5,8% nas lojas física.

Em relatório, analistas da XP Investimentos avaliaram o balanço como abaixo das expectativas, com os resultados sendo, novamente, impactados pela deterioração macroeconômica.

"A dinâmica de crescimento de receita continua impactada pela fraca performance das lojas físicas frente ao cenário macro desafiador e seu impacto na demanda de bens duráveis", destacaram os analistas Danniela Eiger, Gustavo Senday e Thiago Suedt, em relatório.

Eles fazem a ressalva de que a empresa deu maior abertura para a diversificação de produtos em sua plataforma. As novas categorias representaram 45% das vendas do e-commerce em 2021.

A corretora mantém recomendação neutra para o papel.

Vale lembrar que os papéis do Magazine e de outras varejistas já vêm sofrendo há meses na Bolsa devido não só ao cenário macroeconômico deteriorado, mas também pela maior concorrência no segmento.

Petrobras e Vale caem

Pressionadas pelo desempenho ruim das commodities no exterior, as ordinárias da Petrobras (PETR3) cediam 3,17% e as preferenciais (PETR4, sem direito a voto), 2,76%, em linha com a queda do petróleo no exterior.

As ordinárias da Vale (VALE3) caíam 3,59% e as da Siderúrgica Nacional (CSNA3), 3,20%.

As preferenciais da Usiminas (USIM5) cediam 5,30%

No setor financeiro, as preferenciais do Itaú (ITUB4) subiam 0,24%, e as do Bradesco (BBDC4) caíam 0,05%.

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