Dinheiro na mão
José Cruz/ Agência Brasil
Dinheiro na mão

 A situação financeira do brasileiro não é das melhores. Além do cenário de desemprego e da alta da inflação, quem está empregado também enfrenta dificuldades para lidar com as finanças. Planejar viagens, festas, trocar de carro ou até mesmo abrir seu próprio negócio se tornou algo complicado. Muitas vezes realizar aquele antigo sonho esbarra em um problema comum a muitos brasileiros: a falta de dinheiro. Pensando nisso, O DIA consultou especialistas para que dessem dicas de como parar de gastar à toa e economizar.

Geralmente os pequenos gastos são responsáveis por levar uma fatia grande do orçamento mensal. Aquela ida à padarias, mimos para os filhos e comidinhas ao longo do dia, como um lanche rápido, um chocolate e uma bebida. Parece pouco, mas quando somados, percebe-se que comprometeu boa da sua renda mensal. A educadora financeira Karina Ikeda alerta sobre a necessidade de sempre ter consciência sobre esses pequenos gastos, se eles acontecem com frequência e se são realmente necessários.

"É importante ter consciência de quanto realmente é usado com essas pequenas compras diárias e reduzir a frequência que isso acontece, principalmente quando a pessoa está com uma situação financeira apertada", disse Karina.

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A especialista lembra também a importância de fazer um planejamento financeiro semanal, o que segundo ela, pode ajudar nas economias.

"Uma forma de evitar esses gastos de forma eficiente é reservar um valor por semana para essas coisas 'pequenas'. Ou seja, você vai gastando e se o dinheiro acabar na quinta-feira, por exemplo, você só vai ter uma nova quantia para usar a partir do domingo. Fazer isto ajuda a ter mais consciência de onde e como está sendo usado o dinheiro, permitindo assim controlar melhor as finanças", completou.

Endividamento com cartão de crédito

Uma pesquisa realizada pela consultoria financeira fintech Leve com 3.450 colaboradores constatou que 52% dos trabalhadores gasta tudo ou mais do que ganha por mês. A consequência direta disso é o endividamento, principalmente no cartão de crédito. Inclusive, no último ano, de acordo com dados do Banco Central (BC), o brasileiro superou a taxa de endividamento do cartão de crédito dos últimos 10 anos.

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Segundo a consultora financeira Bárbara Almeida, o brasileiro gasta mais com o que precisa pra sobreviver, os chamados "gastos essenciais". O custo com moradia costuma ser o mais representativo, considerando aluguel e parcelas de financiamento imobiliário. Mas de acordo com Bárbara, a tendência de compras por impulso, que sofreu crescimento na pandemia, é a maior causadora da desorganização financeira que atinge os brasileiros.

"Durante a pandemia vimos crescer os gastos com delivery e compras por impulso. Presos em casa, com menos opções de lazer, medo e ansiedade, as pessoas buscam satisfação pessoal e prazeres rápidos nas compras, muitas vezes desnecessários. Mas, para escolher um vilão, diríamos que o maior é o cartão de crédito. O que se vê nas consultorias é que as pessoas não percebem que o que compram no cartão terá que ser pago naquele mês. É quase como se contassem com o limite do cartão como um "extra" do salário. Aí gasta mais do que ganha, entra no rotativo e começa a contrair dívidas", afirmou.

Mudança de relação com o dinheiro

De acordo com a especialista, o brasileiro se endivida porque gasta mais do que ganha e porque não possui conhecimento sobre os produtos financeiros. Para mudar esse cenário de instabilidade financeira das famílias e indivíduos, é necessário mudar a forma com que se relaciona com o dinheiro.

A organização financeira é algo essencial para que exista uma progressão econômica. Sabendo o que entra e o que sai de dinheiro fica mais fácil tomar alguma atitude sobre o tema. Segundo Bárbara, para atingir essa meta de organização, "é importante saber quando ganha e quanto gasta, controlar seu gastos mensais, em caso de necessidade de crédito, buscar opções mais baratas e pensar duas vezes antes de fazer compras por impulso".

No ano de 2021, o endividamento das famílias brasileiras bateu um recorde histórico e ultrapassou os 70%. A eliminação de maus hábitos financeiros, e a atenção para fugir das "armadilhas" pode colaborar para que famílias endividadas consigam se reerguer.

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