Bolsonaro e Silva e Luna
Reprodução: iG Minas Gerais
Bolsonaro e Silva e Luna

O presidente Jair Bolsonaro sobrou nesta sexta-feira (25) o presidente da Petrobras, Joaquim Silva e Luna, a dar uma resposta sobre a alta no preço dos combustíveis. O chefe do Executivo também se eximiu de culpa pela inflação dos derivados de petróleo.

"O diretor ganha 110 mil por mês. O presidente, mais de 200 mil por mês e no final do ano ainda tem alguns salários de bonificação. Os caras têm que trabalhar. Têm que apresentar a solução e mostrar o que está acontecendo. ‘Ah, a gasolina tá alta’. Cai no meu colo. Eu não tenho como interferir na Petrobras, mas cai no meu colo", disse em um evento sobre o Inmetro. 

Em abril do ano passado, acionistas da Petrobras aprovaram que o ex-presidente da estatal, Roberto Castello Branco, deixasse a administração da empresa. A proposta teve 58,28% dos votos favoráveis na assembleia de acionistas da estatal após Bolsonaro fazer críticas públicas ao executivo. 

O mercado, naquela época, ficou em polvorosa com medo de interferência de Bolsonaro na empresa. Dessa vez, no entanto, gestores entendem que as bravatas do presidente fazem parte da campanha eleitoral para culpar terceiros pela elevação no preço dos combustíveis. 

Conflito entre Rússia e Ucrânia pode piorar situação

O barril do petróleo atingiu o maior valor desde 2014, com isso, a gasolina, que já está defasada em até 13%, segundo a Abicom (Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis),  pode subir ainda mais. 

Os contratos futuros do petróleo Brent, referência no mercado internacional, saltaram mais de 8,42%, cotados a US$ 101,97 . Já o petróleo americano WTI (West Texas Intermediate) é cotado a US$ 100,08, refletindo alta de 8,66%. O Brent e o WTI atingiram seu nível mais alto desde agosto e julho de 2014, respectivamente.

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A Rússia é o terceiro maior produtor de petróleo e o segundo maior exportador de petróleo do mundo, além de ser o maior fornecedor de gás natural para a Europa, provendo cerca de 35% do total consumido pelo continente.

Com as sanções econômicas impostas ao país, diminui a oferta dos derivados de petróleo, fazendo os preços subirem. Na terça-feira (22), por exemplo, a Alemanha congelou a certificação do gasoduto russo Nord Stream 2. Os  Estados Unidos também aplicaram sanções.

Lucro recorde da Petrobras não deve conter alta dos combustíveis

A Petrobras registrou no ano passado um lucro líquido de R$ 106,668 bilhões. É o maior de sua história e superior ao ganho de R$ 7,10 bilhões obtido no ano passado. Mesmo assim, não deve usar parte do superavit para conter a elevação no preço dos combustíveis. 

O general Joaquim Silva e Luna, presidente da estatal, afirma que o "bem maior" da empresa são os dividendos pagos à União, que devem ser de R$ 37,3 bilhões, além de outros R$ 53,8 bilhões em tributos federais relativos ao ano de 2021.

O próprio presidente Jair Bolsonaro disse ontem (23) que não vai interferir nos preços da estatal. Desde outubro de 2016, a Petrobras adota a política de Preços de Paridade de Importação (PPI), que vincula o preço dos derivados de petróleo ao mercado internacional. Após cinco anos da mudança, o combustível no Brasil concentra a maior alta da história, superando a inflação em mais de 30%.

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