Sede da Amil
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Sede da Amil

Amil e APS apresentaram ontem um plano em prol da carteira de beneficiários de planos individuais e familiares da operadora, atendendo à solicitação feita ontem pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) feita em reunião com as empresas realizada na última semana. A demanda do regulador veio na sequência do salto em reclamações de usuários em razão do descredenciamento de clínicas e laboratórios pela empresa de saúde. 

Entre as medidas apresentadas pela Amil estão a redução do tempo para autorização de cirurgias eletivas e a retirada temporária da exigência de autorização prévia para liberação dos exames laboratoriais.

No início de janeiro, a agência autorizou a transferência dos planos individuais e familiares da carteira da Amil em Rio de Janeiro, São Paulo e Paraná para a APS, que pertence também o UnitedHealth Group, dono da Amil. Este mês, um grupo formado por Fiord Capital, Seferin & Coelho e Henning Von Koss fechou um acordo com a Amil para assumir o controle da APS. 

Como a solicitação formal para a transferência de controle da APS aos novos sócios não havia sido enviada ao regulador, a agência suspendeu a operação.

Os novos controladores da APS planejam dobrar a carteira da operadora hoje de 330 mil beneficiários num período de dois anos, perseguindo a meta de transformar a empresa em líder nesse segmento no país. A transação teria aporte de R$ 2,4 bilhões da Amil, incluindo ainda a transferência de quatro hospitais.

A documentação sobre a transferência do controle da APS foi enviada à ANS no fim da última semana e está em análise.

Número preocupante de reclamações

Paulo Rebello, presidente do órgão regulador, vem afirmando que o número de reclamações de beneficiários da Amil nesses planos começou a subir de forma relevante desde a virada de setembro para outubro do ano passado. Agora, teria chegado a um volume preocupante. 

No encontro desta semana com a agência, a Amil apresentou ações sendo realizadas para atender os beneficiários. O tempo de autorização para cirurgias eletivas com o uso de órtese, prótese e material especial (OPME) foi reduzido para 15 dias corridos, enquanto o para procedimentos sem OPME caiu para até cinco dias consecutivos.

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Foi criada uma célula para contato antecipado para todos os casos que receberam negativas de rede credenciada, para orientar o usuário e garantir que a demanda seja atendida por um prestador credenciado ou eventual, mantendo os prazos previstos na regulação. Já as centrais de atendimento têm novo fluxo para assegurar a resolução imediata das demandas do beneficiário ainda ao telefone.

Por fim, a exigência prévia de liberação para exames laboratoriais está temporariamente suspensa. E os beneficiários serão redirecionados automaticamente do portal da APS para o da Amil. 

Dentre os próximos passos planejados pela Amil estão reforçar a comunicação com a carteira de beneficiários transferida para a APS por meio de e-mail marketing e pelo portal Amil; a atualização da base de 25 mil prestadores não hospitalares da APS no portal, além da reestruturação do portal da operadora que agora detém os planos individuais e familiares. 

Durante a reunião, a ANS destacou a importância de tais ações para que o beneficiário sinta segurança em todo o processo. A reguladora continuará monitorando os prazos de atendimento e a assistência conferida aos clientes.

É importante frisar que a transferência parcial da carteira da Amil foi autorizada pela ANS para os beneficiários de planos individuais e familiares da operadora residentes nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Paraná. Os beneficiários de planos individuais e familiares residentes em outros estados, bem como os beneficiários de planos coletivos, não foram transferidos e permanecem na Amil. 

A ANS segue monitorando a implementação das medidas e reforça que, em caso de dificuldades ou problemas no uso do plano de saúde, os usuários devem procurar a Amil. Se a questão não for resolvida, a recomendação é que uma reclamação seja registrada na agência. 

Em entrevista ao GLOBO, os candidatos a novos sócios da APS afirmam que há duas medidas em contrato para garantir a manutenção do atendimento aos beneficiários.

Uma delas é que a gestão da operação será feita pela Amil nos primeiros seis meses após a transferência do controle da operadora, podendo perdurar por outros seis meses. Em paralelo, a rede credenciada teria manutenção por cinco anos.

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