Presidente do Banco Central precisou explicar as razões da inflação não ter batido a meta
Fernanda Capelli
Presidente do Banco Central precisou explicar as razões da inflação não ter batido a meta

O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, afirmou que o descontrole inflacionário de 2021 foi causado pela alta nos preços das commodities e desequilíbrio na cadeia de insumos. A declaração foi dada em carta aberta emitida nesta terça-feira (11) ao Ministério da Economia.

Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que o país atingiu um índice inflacionário de 10,06% no último ano. O número é quase o dobro do teto da meta prevista pelo BC para 2021, que era de 5,25%.

O Presidente do BC ainda culpou a escassez hídrica, que provocou um forte reajuste na tarifa das contas de energia elétrica. No segundo semestre do ano passado, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) criou a bandeira tarifária de escassez hídrica com o valor de R$ 14,20 a cada 100 kWh.

"O fraco regime de chuvas levou ao acionamento de termoelétricas e de outras fontes de energia de custo mais elevado durante a segunda metade de 2021, resultando em aumento expressivo das tarifas de energia elétrica. Depois de a bandeira amarela vigorar entre janeiro e abril, em maio foi acionada a bandeira vermelha patamar 1. Entre junho e agosto, adotou-se a bandeira vermelha patamar 2, já com valores mais altos a partir de julho. Em setembro, foi criada e acionada a bandeira escassez hídrica, o que causou aumento de 49,6% sobre a bandeira anterior e de 5,8% sobre a tarifa de energia elétrica ante o mês anterior", diz o documento.

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Ao comentar sobre as commodities, Campos Neto lembrou do forte reajuste para patamares maiores aos registrados pré-pandemia. Ele ressaltou a variação cambial para justificar a inflação de 2021. Nesse último caso, o presidente do BC culpou as incertezas sobre os riscos fiscais do país.
"A tendência de depreciação na segunda metade de 2021 refletiu principalmente questionamentos em relação ao futuro do arcabouço fiscal vigente e o aumento dos prêmios de risco associados aos ativos brasileiros, diante da maior incerteza em torno da trajetória futura do endividamento soberano", disse.

Providências e prazos

A carta ainda traz detalhes sobre as providências tomadas pelo Banco Central para evitar uma alta inflacionária neste ano. Segundo o documento, o Comitê de Políticas Monetárias (Copom) manterá os reajustes na Taxa Selic até manter o controle da inflação brasileira.

"O BC tem calibrado a taxa básica de juros, e continuará a fazê-lo, com vistas ao cumprimento das metas para a inflação estabelecidas pelo CMN".

Técnicos do BC acreditam que a inflação de 2022 não deverá ultrapassar 4,7%. Os efeitos para manter esse índice, segundo Campos Neto, devem ser sentidos ainda neste mês, após o último reajuste na taxa básica de juros, que subiu para 9,25% na reunião de dezembro.

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