Ipea: Mais de 4 milhões de pessoas buscam emprego há pelo menos 2 anos
Fernanda Capelli
Ipea: Mais de 4 milhões de pessoas buscam emprego há pelo menos 2 anos

Cerca de 4 milhões de pessoas buscam emprego há mais de dois anos. O número representa 30% dos 13,5 milhões de desempregados no país e aponta que no terceiro trimestre do ano o Brasil observou o maior porcentual de pessoas nessa situação em toda a série histórica iniciada em 2012, segundo levantamento do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) divulgado pela agência Estado. 

A informalidade, ou seja, o emprego sem carteira assinada, também cresceu no último biênio, mais do que todas as vagas criadas no mercado formal. 

A pesquisa analisou dados da da Pnad Contínua (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua), apurada pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), e o Novo Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados).

A taxa de desemprego bateu 12,5% no terceiro trimestre do ano, de acordo com a Pnad. 

"Em conjunção ao elevado patamar da desocupação e da subocupação, o aumento do tempo de permanência no desemprego se torna mais um indício de que a situação do mercado de trabalho continua desafiadora", apontou a Carta de Conjuntura que avalia o mercado de trabalho, divulgada hoje pelo Ipea. 

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"No terceiro trimestre de 2021, a proporção de desempregados que estava nesta situação há mais de dois anos chegou a 29%, atingindo o maior patamar da série", informa o documento. 

Comparado com o ano passado, o terceiro trimestre no setor privado registrou alta de 5,9% nos empregos com carteira assinada. Já os empregos informais no período avançaram 18,5%. O estoque de trabalhadores atuando por contra própria teve elevação de 18,4%.

Variação por atividade:

  • serviços domésticos: carteira assinada (+4,0%); sem carteira assinada (+28,1%);
  • alojamento e alimentação: carteira assinada (22,0%); sem carteira assinada (39,2%)
  • indústria de transformação: carteira assinada (8,7%); sem carteira assinada (22,6%)
  • indústria extrativa: carteira assinada (6,3%); sem carteira assinada (22,5%)
  • comércio: carteira assinada (8,8%); sem carteira assinada (26,8%)
  • construção civil: carteira assinada (+19,2%); sem carteira assinada (+22,5%).
  • agricultura carteira assinada (7,2%); sem carteira assinada (8,8%)

"Apesar de expressivo, esse crescimento do emprego informal já era esperado, tendo em vista que, com o controle da pandemia, os setores mais intensivos neste tipo de mão de obra (comércio e serviços) estão retomando suas atividades e gerando, por conseguinte, novos postos de trabalho", apontaram os técnicos no estudo do Ipea.

"Em contrapartida, como o emprego formal foi menos atingido, o seu ritmo de expansão tende a ser mais ameno, mesmo em um contexto de recuperação econômica", prosseguiram.

Ainda segundo o documento, a expectativa para os próximos meses é "de um crescimento menos acentuado da ocupação em 2022, refletindo um desempenho mais moderado da atividade econômica".

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