Roberto Campos Neto, presidente do Banco Central
José Cruz/Agência Brasil
Roberto Campos Neto, presidente do Banco Central

A Procuradoria-Geral da República (PGR) recebeu de Rosa Weber, ministra do Supremo Tribunal Federal (STF), pedido de investigação contra o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, e o dono do BTG Pactual, André Esteves, para apurar a prática do crime de uso indevido de informação privilegiada.

A partir do envio do pedido de inquérito, agora a PGR deverá analisar e informar ao STF se há elementos para apurar o caso. O pedido de investigação foi feito pela Associação Brasileira de Imprensa.

"Para quem não sabe, o secretário do Tesouro [do Ministério da Economia] acabou de renunciar, com mais 3 outros, tem mais 4 ameaçando. E eu atrasei um pouquinho porque o presidente da Câmara me ligou para perguntar o que eu achava", disse André Esteves a investidores em áudio enviado no fim de outubro, após debandada no Ministério da Economia .

A Bolsa de Valores foi fortemente impactada pelas mudanças na pasta chefiada por Paulo Guedes. Após a sinalização de que o governo furaria o teto de gastos, alguns secretários pediram para sair, e o mercado reagiu mal à notícia. Tendo a informação antes da imprensa e da sociedade, os investidores poderiam se antecipar e pensar no que fazer antes dos 'competidores' no mercado financeiro.

A fala de André Esteves foi feita durante um evento com cerca de 30 pessoas, e vazou. Ele também defendeu a independência do Banco Central e citou conversas com ministros do STF sobre isso. À época, o Banco Central minimizou o ocorrido e disse que que a prática é "comum no mundo todo".

Agora, a PGR deve apurar, após o pedido de Rosa Weber, se realmente "não tem nada" ou se há crime de uso indevido de informação privilegiada. Na prática, cabe avaliar se os investigadores se beneficiaram da informação recebida por Esteves, que teve contato com ministros do STF, Arthur Lira e Roberto Campos Neto.

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