Copom eleva taxa Selic para 7,75% nesta quarta-feira
Sophia Bernardes
Copom eleva taxa Selic para 7,75% nesta quarta-feira

O Comitê de Políticas Monetárias do Banco Central (Copom) elevou a taxa básica de juros do país em 1,5 ponto percentual, passando de 6,25% para 7,75% ao ano. A decisão foi tomada em reunião encerrada no fim da tarde desta quarta-feira (27).

Essa é sexto aumento na taxa Selic em 2021 e a maior taxa já praticada desde outubro de 2017, quando o Copom elevou os juros para 7,5%. Segundo o Banco Central, a medida se faz necessária para tentar controlar a inflação, que atinge 10,38% nos últimos 12 meses segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

"O Comitê entende que essa decisão reflete seu cenário básico e um balanço de riscos de variância maior do que a usual para a inflação prospectiva e é compatível com a convergência da inflação para as metas no horizonte relevante, que inclui os anos-calendário de 2022 e 2023. Sem prejuízo de seu objetivo fundamental de assegurar a estabilidade de preços, essa decisão também implica suavização das flutuações do nível de atividade econômica e fomento do pleno emprego", aponta o comunicado.

O Banco Central ressaltou que o reajuste maior também foi provocado pela pressão do mercado financeiro após surgir a possibilidade da União estourar o teto de gastos para bancar o Auxílio Brasil, novo programa social do governo federal e substituto do Bolsa Família em 2022.

"Apesar do desempenho mais positivo das contas públicas, o Comitê avalia que recentes questionamentos em relação ao arcabouço fiscal elevaram o risco de desancoragem das expectativas de inflação, aumentando a assimetria altista no balanço de riscos. Isso implica maior probabilidade de trajetórias para inflação acima do projetado de acordo com o cenário básico".

"Novos prolongamentos das políticas fiscais de resposta à pandemia que pressionem a demanda agregada e piorem a trajetória fiscal podem elevar os prêmios de risco do país", conclui o comunicado.

A economista da XP Investimentos, Tatiana Nogueira, vê uma parte polêmica nas justificativas no Banco Central ao reajustar a Selic. Ela ressalta que o mercado financeiro vê o quadro fiscal do Brasil diferente dos olhos do BC. 

"O Copom ainda não vê que o quadro fiscal mudou, como nós e a maior parte do mercado vemos. Provavelmente por isso as projeções de inflação não mudaram muito: para o Comitê, o cenário básico anterior ainda se mantém. Isso pode ser interpretado como espaço para o Copom voltar a mudar sua estratégia, quando (e se) o risco fiscal se materializar", afirma.  

Em seu comentário ao mercado, o economista-chefe da Ativa Investimentos, Étore Sanchez, diz ter esperado o reajuste em 1,5 ponto percentual após o 'pânico' no mercado financeiro com a repercussão do pagamento do Auxílio Brasil e a debandada no Ministério da Economia.

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"Avaliamos, bem como o comunicado pela autoridade, que o ritmo é suficiente para promover a convergência da inflação para meta no horizonte relevante para política monetária", disse Sanchez.

O Copom informou que manterá o reajuste de 1,5bps na próxima reunião, marcada para os dias 7 e 8 de dezembro, o que faria os juros atingirem a marca de 9,25% ao ano.

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"Mantivemos, deste modo, a perspectiva de que teremos um ciclo de mais 3 elevações de juros ao passo de 150bps. A fim de não perder a meta de inflação para baixo, a autoridade deverá iniciar o ciclo de baixa, ao passo de -50bps, encerrando 2022 em 11%", aponta o especialista. 

Como a Selic impacta na economia

A elevação ou não da taxa Selic acaba influenciando diretamente na economia e no bolso do brasileiro. Quando ela é aumentada, as empresas perdem a vontade de realizar mais investimentos, o que poderá acarretar redução na geração de empregos.

"Quando eleva, afeta a atividade economia. Eleva o custo das fontes de capital das empresas, consequentemente, as empresas começam a ficar desestimuladas no processo de expansão na capacidade produtiva. Esse efeito sobre a empresa, desestimula a geração de emprego, investimentos. Tem impacto, também, sobre a alta dos preços para o setor industrial. Com o aumento de preços, você diminui a demanda. Gera desemprego também, pois inibe o consumo", explica do professor da Universidade Mackenzie, Agostinho Pascalicchio.

Pascalicchio ainda explica que o aumento dos juros acaba impactando nos empréstimos e financiamentos. Eles acabam ficando mais caros e, dependendo do caso, poderá acarretar no aumento da dívida do brasileiro. A dívida pública também é impactada com a alta na Selic

"Tem um efeito que chamo de secundário que um eventual impacto sobre as taxas dos empréstimos. Discutimos sempre essa questão, pois as taxas variam muito mais sobre garantias ou sobre o que está sendo financiado".

"Impacta sobre a dívida da União, a dívida se tornando mais cara e gera dúvidas sobre como o governo irá administrar os títulos, inclusive refinanciar ou negociar irá afetar as condições monetárias".

O professor da Mackenzie espera novos aumentos na Selic no começo de 2022. Em seus cálculos, há previsão de atingir 10% de juros logo na primeira reunião, em fevereiro.

"Tendencia de alta. Mesmo que ocorra dois aumentos de 1,5%,acima da base, ainda a taxa Selic ficaria em um dígito neste ano. No ano que vem, ao contrário, poderá chegar aos 10%", opina.

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