Presidente conversou com apoiadores no Palácio do Alvorada; nesta sexta, IBGE divulgou maior alta da inflação desde o início do Plano Real
Reprodução: iG Minas Gerais
Presidente conversou com apoiadores no Palácio do Alvorada; nesta sexta, IBGE divulgou maior alta da inflação desde o início do Plano Real

Em meio a uma inflação que atingiu dois dígitos pela primeira vez desde 2016, o presidente Jair Bolsonaro afirmou nesta sexta-feira que o Brasil está se recuperando e que um dos países que menos sofreu na economia com a pandemia.

Mais uma vez, o presidente disse que a culpa pelos problemas econômicos do país foram as medidas restritivas adotadas por governadores para conter o contágio do novo coronavírus. Segundo o consórcio de veículos de imprensa, o Brasil se aproxima de 600 mil mortes por Covid-19.

O IBGE divulgou na manhã desta sexta-feira que a inflação atingiu o maior patamar em setembro para os últimos 27 anos. A previsão mais recente da OCDE, grupo que reúne os países ricos, é que o Brasil feche 2021 com a terceira maior inflação entre as principais nações desenvolvidas e emergentes, atrás apenas de Argentina e Turquia.

Em conversa com apoiadores no Palácio do Alvorada, Bolsonaro destacou que outros países estão sofrendo com índices de inflação ainda maiores para alguns produtos. Bolsonaro repetiu que o preço do gás de cozinha no Reino Unido subiu 300% nos últimos meses e 200% em média na Europa e que alguns países do continente enfrentam desabastecimento, omitindo porém que no Reino Unido a escassez de produtos é reflexo do Brexit.

"Um dos países que menos sofreu na economia com a pandemia fomos nós. Aí fora, a Inglaterra, 300% de aumento do gás. 200% em média na Europa. Alimentos em falta lá. Não é apenas inflação. O pessoal reclama daqui, mas aqui estamos pagando aquela do fique em casa, a economia a gente vê depois. Eu falei que não podia fazer isso. Mas a gente tá recuperando aí", afirmou Bolsonaro.

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Nesta sexta-feira, o IBGE divulgou que o IPCA acelerou e subiu 1,16% em setembro, segundo dados divulgados pelo IBGE nesta sexta-feira. É a maior taxa para o mês em 27 anos, puxada por energia elétrica e combustíveis.

Em setembro daquele ano, o índice ficou em 1,53%. Na época, os preços ainda refletiam o final do período de hiperinflação, uma vez que o Plano Real havia entrado em vigor apenas dois meses antes, em julho.

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Para tentar se afastar da reprovação causada pelo aumento dos preços, Bolsonaro tem afirmado que a crise inflacionária é mundial.

Nesta quinta-feira, durante transmissão em suas redes sociais, o presidente chegou a comparar o preço de produtos alimentícios no país com o de mercados nos Estados Unidos para mostrar que os preços fora do país estariam mais caros. Bolsonaro, entretanto, apenas converteu os valores em dólares para reais, sem levar em conta o poder de compra nos Estados Unidos ou o fato de que a cotação do dólar também disparou nos últimos anos em relação ao real.

Nesta quinta-feira, em solenidade no Palácio do Planalto, o presidente disse ainda que pediu para que diplomatas no exterior vão a supermercados e e mostrem "o que está acontecendo".

"Pedi agora para uma pessoa nossa que trabalha nos Estados Unidos, Itamaraty, ir nos mercados bem como alguns embaixadores da Europa mostrar o que está acontecendo. Lá não é apenas inlação, está tendo desabastecimento", afirmou.

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