Brasil, China e Europa passam por uma crise energética
Osni Alves
Brasil, China e Europa passam por uma crise energética

O Brasil não é o único país que enfrenta uma  crise energética atualmente. Na China, o governo limitou o uso de energia nos horários de pico em boa parte do território, especialmente em três províncias onde vivem quase 100 milhões de chineses. Por lá, a população passa por cortes de luz programados e apagões repentinos nas fábricas, lojas e até nas casas. Enquanto isso, a Europa também tem uma crise para chamar de sua. O gás natural, usado para produção de energia e aquecimento, já acumula uma alta de 500% nos últimos doze meses. 

As crises ocorrem justamente em um momento de recuperação econômica mundial após a queda provocada pela pandemia de Covid-19. Com a retomada da produção pelas indústrias e a abertura do comércio, os países vêm gastando cada vez mais eletricidade. Por causa do aumento na demanda, a oferta fica escassa. Entenda os motivos que levaram às crises energéticas nos três territórios...

Brasil

As hidrelétricas correspondem a 90% da energia elétrica produzida no Brasil. Entretanto, uma crise hídrica tem ameaçado o fornecimento de energia em todo o terrítório nacional. Cinco estados enfrentam a pior seca nos últimos 91 anos: São Paulo, Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso do Sul e Paraná. Nesses locais, situam-se as represas responsáveis por mais da metade da capacidade de armazenamento d’água para geração de energia no país.

A falta de chuvas e a consequente baixa produção das hidrelétricas elevou o risco de apagões elétricos e de racionamento de energia no país. Por isso, o governo resolveu acionar as termelétricas, que operam a partir da queima de combustíveis fosséis. No entanto, além de serem mais poluentes, essas usinas também têm um custo de operação maior, o que levou a uma disparada nas contas de luz. A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) aumentou a taxa das bandeiras tarifárias e criou uma nova modalidade, chamada “escassez hídrica”, que cobra R$ 14,20 a cada 100 kWh .

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China

Na China, a situação é ainda mais delicada e pode ter consequências no mundo todo. No nordeste do país, a falta de energia cortou o fornecimento nas casas e obrigou as fábricas a pararem as produções. Além de ameaçar a vasta economia chinesa, a crise também prejudica a exportação de mercadorias e até de alimentos ao redor do globo.

Mas, diferente do Brasil, a crise energética na China tem outro vilão: o carvão mineral, que atingiu o maior preço da história. A demanda pela matéria-prima aumentou com a recuperação econômica pós-pandemia. Ao mesmo tempo, a China prometeu reduzir a emissão de carbono até 2060 e, por isso, governos locais endureceram as leis para que as províncias usem cada vez menos combustíveis fósseis. Ambos os fatores levaram a uma disparada no custo do carvão.

Europa

Na Europa, a recuperação econômica levou a um aumento da demanda de outra matéria-prima: o gás natural. O preço da commodity disparou nos últimos doze meses. Além de ser um importante componente das matrizes energéticas no continente, o gás é a principal fonte de aquecimento nas casas. Por isso, com a chegada do inverno, a situação tende a piorar.

De acordo com o Independent Commodity Intelligence Services, entre o início de agosto e o meio de setembro, o gás natural ficou 119% mais caro na Alemanha e 149%, na França. No Reino Unido, esse aumento foi de 300%. Enquanto isso, os britânicos também lidam com uma escassez de abastecimento, por causa da baixa mão-de-obra no setor de transportes. Desde o fim de semana, longas filas de carros se formam nos postos de gasolina . O governo até mesmo está cogitando colocar membros do Exército no meio da cadeia de distribuição dos combustíveis .

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