Carteira de trabalho
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Carteira de trabalho

Um novo relatório da Organização Internacional do Trabalho (OIT) afirma que governos da América Latina precisam encarar a crise de empregos decorrente da pandemia, que está afetando principalmente os trabalhadores jovens da região.

O drama econômico põe em risco a frágil estabilidade da região, diz o organismo internacional, e configura uma verdadeira bomba-relógio.

O documento aponta que 26 milhões pessoas perderam o emprego em 2020 na América Latina, com retração de 7% na atividade econômica. Essa situação afetou principalmente trabalhadores jovens, mulheres e pessoas com baixa qualificação, grupo que sofreu com perda de empregos, horas trabalhadas e renda.

Pequenas e médias empresas (que respondem pela maior fatia dos empregos) sofreram mais e, de acordo com dados da Cepal, 2 milhões fecharam as portas definitivamente ano passado.

Recuperação via informalidade

Neste ano, a recuperação se concentra, principalmente, no setor de empregos informais. Segundo a OIT, esse contexto pode levar ao aumento de desigualdade de renda no futuro, e ainda não se equipara a níveis pré-pandêmicos.

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"O impacto desproporcional da pandemia entre os jovens é uma bomba-relógio que poderia afetar a estabilidade social e política na América Latina e no Caribe. A qualidade do trabalho é muito preocupante, não melhorou", afirma o diretor reacional da OIT, Vinicius Pinheiro.

O diretor explica que a região carece de políticas que ajudem a pavimentar o caminho para que os trabalhadores tenham um trabalho assalariado com benefícios como atenção médica.

No meio de uma recuperação ainda incipiente, cerca de 70% dos novos postos criados nos maiores países da região foram informais, o que levou a reduções salariais muito maiores.

Renda cai 14% no Brasil

No Brasil, por exemplo, a renda dos trabalhadores informais caiu 14% em 2020, enquanto os funcionários assalariados apenas sofreram uma redução de 5%.

Para a recuperação na região, a OIT recomenda a adoção de políticas integrais, consensuais e de grande alcance para gerar empregos formais, com proteção às pequenas e médias empresas e que assegurem garantias de renda e proteção social aos trabalhadores que vivem em condições vulneráveis e suas famílias.

Segundo o documento, caso não sejam empenhados os esforços, a crise que assola o subcontinente vai deixar "cicatrizes sociais e trabalhistas" a longo prazo.

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