Guedes e Lira
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Guedes e Lira

A decisão do ministro da Economia, Paulo Guedes, de procurar o líder da oposição na Câmara dos Deputados, Alessandro Molon (PSB-RJ) em busca de acordo sobre a reforma do Imposto de Renda desagradou o governo e o presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL).

Guedes ligou para o parlamentar, na quarta-feira e agendou uma reunião para a próxima terça-feira, já que a oposição é favorável à tributação de dividendos, um dos pilares da proposta. Essa informação foi antecipada pelo colunista do GLOBO Lauro Jardim . O encontro, porém, foi desmarcado.

"As negociações devem ser dentro do congresso e com a parte política do governo, Casa Civil e Secretaria de Governo. Guedes é muito importante, mas no suporte técnico" disse Lira ao GLOBO.

Para integrantes da ala política, a iniciativa do ministro pode soar como fraqueza do governo, além de ter potencial para enterrar de vez a proposta. Um técnico do governo sintetizou a preocupação:

"Os partidos da oposição tem como bandeira a tributação de dividendos, mas imagina a confusão que essa negociação daria com eles defendendo a taxação dos mais ricos e de grandes fortunas?"

Oposição critica falta de diálogo

A oposição concorda com algumas diretrizes da proposta do governo, como a taxação de dividendos e a atualização da tabela do IR para pessoas físicas. Mas também sugere alterações no texto, como a manutenção do desconto simplificado, sem a limitação de R$ 40 mil que o governo sugeriu, e uma taxação progressiva dos dividendos.

O deputado Alessandro Molon afirmou que o grupo apresentaria sugestões à equipe econômica, e criticou esse veto ao diálogo entre governo e oposição.

"É lamentável que não se permita que o governo dialogue com a oposição para buscar a melhor solução para a reforma do imposto de renda. Assim que fomos consultados, aceitamos o convite para a reunião com o ministro da Economia, para o qual levaríamos a nossa proposta de reforma, que alivia a tributação da classe média e das classes populares", declarou ao GLOBO.

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E acrescentou:

"Não somos a oposição do quanto pior, melhor. Somos a oposição que dialoga e propõe soluções para tirar o país da crise e para gerar emprego e renda. Infelizmente o governo não está autorizado por sua base a fazer o mesmo."

O vice-líder do PT, Afonso Florence (BA), disse que a oposição pode deixar de obstruir a sessão e fechar a acordo com o governo para votar a proposta, mas será preciso alterar o texto do relator, deputado Celso Sabino (PSDB-PA), para tornar a proposta mais progressiva.

Ele defende a retirada de mecanismos de elisão fiscal, como a taxação de aplicações de empresas em paraísos fiscais, a retirada do limite de R$ 40 mil na declaração simplificada do IR de pessoas físicas, além de uma correção linear na tabela do imposto, para contemplar todas as faixas e não só a ampliação da isenção, de R$ 1,9 para 2,5 mil.

"Temos uma proposta, achamos que é possível negociar com o governo, mas não será fácil", disse Florence.


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