Moedas dos Jogos Olímpicos do Japão
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Moedas dos Jogos Olímpicos do Japão

Os Jogos de Tóquio terminarão neste fim de semana, com a expectativa de um recorde de medalhas para o Brasil. Mas, para muitos, começa agora outra disputa: a busca pelas moedas olímpicas comemorativas, que podem valer mais do que ouro. 

As moedas criadas em 2016, para os Jogos do Rio,  valorizaram mais de 300% .

A história começou há 49 anos em Helsinque, uma memória das Olimpíadas que está muito bem conservada na coleção de mais de cinco mil moedas comemorativas de Jerry Edson da Costa.

Fã inveterado dos Jogos e esportista, que venceu campeonatos mundiais de marcha atlética, Jerry começou sua coleção pela primeira moeda comemorativa das Olimpíadas da história, cunhada para os jogos de Helsinque, Finlândia, em 1952.

Em leilões ou com outros colecionadores, ele conseguiu todas as moedas olímpicas já feitas pelos países-sede.

Os 45 itens lançados nos Jogos de Moscou de 1980, ainda na Guerra Fria e que foram boicotados pelos Estados Unidos, são os que Jerry guarda com mais carinho:

"Foram Jogos marcantes, a começar pelo próprio ursinho Misha, que é um símbolo de Moscou, e houve o problema do boicote. Foi a primeira Olimpíada a ter uma moeda de platina."

A moeda de platina é a que tem o maior valor de mercado. Com valor de face de 150 rublos e o símbolo da foice e o martelo, ela hoje é avaliada na faixa dos R$ 10 mil, segundo o colecionador.

Outra parte importante da coleção de Jerry são as moedas lançadas pelo Banco Central (BC) para as Olimpíadas do Rio 2016. Jerry tem todas, incluindo as 16 que circularam pela economia e a que marcou a transição dos Jogos de Londres para o Rio, emitida em 2012, com a bandeira olímpica.

Para ele, esses lançamentos foram um marco para a numismática (estudo de medalhas e moedas) no Brasil.

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O vice-presidente da Sociedade Numismática Brasileira, Bruno Pellizzari, concorda e diz que as moedas provocaram o aumento de adeptos do colecionismo. A estimativa é que sejam de 12 mil a 15 mil pessoas no Brasil, desde quem guardou uma moeda que achou interessante até colecionadores, investidores e pesquisadores.

"As peças de R$ 1 que circularam com as moedas normais atraíram muitas pessoas que não eram colecionadoras", diz Pellizzari.

Ele explica que, devido à quantidade de moedas emitidas pelo BC foram 20 milhões de cada uma das 16 versões, a única que é altamente colecionável é a da bandeira olímpica. Dela, foram apenas 2 milhões.

Foi justamente por ela que a servidora pública Dâmaris Thomazini começou sua coleção. Ela conta que tudo começou por acaso quando, em 2012, recebeu a moeda da bandeira olímpica de troco. Ao ver que era diferente, decidiu guardar.

Nos anos seguintes, o BC lançou aos poucos o restante das moedas comemorativas, em circulação até hoje. Nos Jogos do Rio, Dâmaris decidiu completar a coleção. As 17 moedas, hoje, enfeitam sua sala, em Curitiba.

"É uma coisa que a gente vai guardar com muito carinho. Colocamos na sala em um lugar de destaque, porque acaba sendo uma coleção curiosa", conta.

Por conta do valor sentimental, Dâmaris não pensa em vender a coleção. Mas, se mudar de ideia, pode obter entre R$ 330 e R$ 400, estima Gilberto Cavalini, dono da Loja do Colecionador, em Brasília.

Por ser mais rara, a moeda da bandeira olímpica vale hoje em torno de R$ 180. Já as outras 16 moedas teriam, em conjunto, um valor aproximado de R$ 150, conforme o grau de conservação.

Cavalini, no ramo há 25 anos, conta que, por causa dos Jogos de Tóquio, voltou a haver procura pelas moedas do Rio. Também há busca pelas moedas lançadas no Japão, mas há dificuldade para chegarem ao Brasil.

"Por causa da pandemia, não chegaram muitas moedas, mas entre as que o Japão lançou tivemos de karatê, escalada, skate, surfe, esgrima, beisebol e levantamento de peso. Até o final do ano devem lançar mais", diz Cavalini.

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