O secretário de Política Econômica Adolfo Sachsida
Foto: Marcos Oliveira/Agência Senado
O secretário de Política Econômica Adolfo Sachsida

O secretário de Política Econômica do Ministério da Economia , Adolfo Sachsida, disse nesta sexta-feira (23) que há margem para o reajuste do salário de servidores públicos , mas depende do aval do presidente Jair Bolsonaro . A declaração foi dada em uma live do jornal Valor Econômico .

Sachsida disse que para controlar os gastos fiscais, governo não conseguiu fornecer aumento de salário para funcionário público.

"Será que não é uma vitória? 'Ah, mas o governo vai dar aumento no ano que vem'. Não sei. E, se der, vai ser por um ano", disse.

Questionado se haveria ou não aumento aos servidores, Sachsida respondeu que esta não era uma decisão dele, mas do presidente, em referência a Jair Bolsonaro. Margem fiscal para isso, segundo Sachsida, existe.

"São escolhas", reforçou.

O secretário ainda defendeu na live um programa social para enfrentar o aumento da pobreza provocado pela pandemia.

"É evidente que temos que ter programa social mais robusto. É prioridade máxima e me parece que a escolha orçamentária tem que levar isso em conta",  afirmou.

Ele reforçou, no entanto, que o Orçamento vai respeitar o teto de gastos em 2022: — É tão simples quanto isso.

'Passar a faca no Sistema S'

Sachsida ainda que está na hora de o Sistema S — que reúne contribuições ao Sesi, Senai, Sesc, Senac, etc — ajudar com a inclusão de jovens carentes no mercado de trabalho planejado pelo governo.

"Temos que passar a faca no Sistema S, tem que tirar dinheiro deles para passar para o jovem carente, para ele ter uma chance na sua vida de ter um emprego, de se qualificar e conseguir ter uma vida decente para o futuro. O Sistema S tem bilhões de reais em caixa, é inaceitável não aceitar contribuir com programa de qualificação de jovem carente", afirmou Sachsida na conversa.

Segundo o secretário, o Sistema S arrecada cerca de R$ 20 bilhões por ano "às custas de todo trabalhador, de todas as empresas. É mais do que justo ajudar", disse.

" Estamos pedindo R$ 6 bilhões", afirmou o secretário, em referência ao custo total do programa pelo lado público.

Segundo ele, o valor das bolsas aos jovens trabalhadores seria dividido entre governo e empresa.

"Se não for assim, está condenando uma geração inteira de jovens pobres. Tenho certeza que o Sistema S vai pensar melhor e vai aceitar contribuir".

O secretário disse que o programa precisa do dinheiro, mas não afirmou se ele vingaria sem o recurso do Sistema S.

"Não vou dizer isso, o que vou dizer é uma coisa simples: o nosso país precisa que as instituições e as pessoas ajam à altura do desafio atual".

Leilão do 5G é o 'gol de placa' para reformas

O secretário também falou que a agenda de reformas e privatizações do governo "está andando", mas falta aquele "gol de placa", que é o leilão do 5G .

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Segundo ele, embora seja difícil dizer se "é pico ou tendência", o ambiente externo está "claramente favorável ao Brasil" e o país precisa aproveitar essa chance.

"É juro baixo e preço de commodities alto que nos favorece para fazer reformas. Vamos privatizar os Correios e a Eletrobras", disse.

Questionado sobre uma eventual privatização da Petrobras, Sachsida afirmou que "essa é uma pergunta que a sociedade brasileira tem que responder".

A maneira dela fazer isso, segundo o secretário, é votando em senadores, governadores, prefeitos, deputados e presidente com equipe que apoiem privatização.

"Vamos começar com o que está ao nosso alcance", afirmou.

Uma privatização do Banco do Brasil, porém, foi descartada por Sachsida.

"Isso não vai acontecer, nem adianta. É mais importante avançar passo a passo na direção correta do que ficar se aventurando a tentar grandes saltos e não sair do lugar".

"Teremos ano eleitoral. Ninguém gosta de ditadura"

O secretário de Política Econômica do Ministério da Economia entrou na seara política, afirmando que em 2022 haverá eleições, um dia após a notícia de que o ministro da Defesa, Walter Braga Netto, teria mandado um recado ao presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), condicionando a realização do pleito à aprovação do voto impresso. Ambos negaram.

"Nós vamos ter um ano eleitoral no ano que vem, e de novo vai ser barulhento como todos são. O Brasil é uma democracia vibrante. Ninguém gosta de ditadura, isso não existe", disse Sachsida.

A suposta situação envolvendo Braga Netto e Lira causou reações e cobranças tanto da oposição quanto de governistas e criou novo mal-estar entre políticos e Forças Armadas.

Questionado pela audiência sobre inseguranças no país com as discussões iniciais a respeito das eleições de 2022, o secretário disse que “ainda bem que tem eleição, discussão sobre isso, pra mim é normal”.

"Honestamente, não afeta nada aqui, não. O que afeta é quando tem pouca discussão. Eu gosto muito que a imprensa bata na gente, porque governo tem que apanhar todo dia mesmo, porque o poder corrompe", concluiu. 

Para ele, “ruim para a democracia é ter silêncio” e “uma imprensa que só aplaude”. — Para mim está normal e tomara que continue sempre assim.

Volta do Ministério do Trabalho

Sobre a recriação do Ministério do Trabalho , que vai sair da Economia como parte de uma reforma ministerial do presidente Jair Bolsonaro para acomodar o chamado “Centrão”, Sachsida disse que "vai continuar seguindo a mesma orientação" de reformas pró-mercado e consolidação fiscal.

"O presidente foi eleito com pauta pró-mercado, [o ministro da Economia, Paulo] Guedes tem deixado claro o norte da política econômica".

Sachsida disse, ainda, que a equipe econômica já trabalhou em parceria com Onyx Lorenzoni, que assumirá a pasta do trabalho, na época do FGTS, do auxílio emergencial, desde a campanha.

"É mais um que está vindo somar ao time, estou bem tranquilo quanto a isso", disse.

Para ele, se o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) vai ficar na Economia ou vai para o Ministério do Trabalho "é mais questão organizacional".

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