Campos Neto, presidente do Banco Central
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Campos Neto, presidente do Banco Central

No dia em que a inflação alcançou o patamar de 6,10% no acumulado em 12 meses, o presidente do Banco Centr al (BC), Roberto Campos Neto , reforçou a expectativa por uma nova alta de 0,75 ponto percentual na taxa básica de juros , a Selic , no próximo mês.

Campos Neto ainda destacou que se deve separar o que seria uma inflação de caráter mais estrutural de algo temporário, como no caso brasileiro. Segundo ele, o banco vem respondendo a uma inflação que se mostra mais persistente do que o esperado.

"A não ser que algo diferente aconteça, acho que estamos prontos para mais um aumento de 0,75%. Mas claro que isso pode mudar. Hoje, com o que nós temos, podemos continuar com o que foi comunicado", disse Campos Neto em evento da XP.

Com o resultado acumulado, o IPCA se encontra acima do teto da meta do BC para este ano, que é de 3,75%, podendo variar entre 2,25% e 5,25%. Em março, o índice acelerou 0,93% em relação ao mês de fevereiro, sobretudo, pela pressão de combustíveis.

Após ficar estacionada por sete meses na casa dos 2%, menor patamar histórico, a Selic teve elevação de 0,75 ponto percentual no mês passado. O aumento determinado pelo Comitê de Política Monetária (Copom), ligado ao BC, surpreendeu os analistas do mercado, que aguardavam um aumento de 0,5 ponto percentual.

Na ata da reunião, o Comitê afirmou que um novo aumento de 0,75 ponto percentual era aguardado, o que vem sendo confirmado por Campos Neto em declarações públicas.

O cenário de inflação em alta, pressionada por uma desvalorização do real e o encarecimento de matérias-primas, é apontado como principal justificativa para um ciclo de aumentos da Selic.

No evento promovido pela XP Investimentos, o presidente afirmou que houve leve queda na demanda por crédito com a segunda onda da doença. Para ele, haverá crescimento na demanda com a abertura da economia, no segundo semestre.

Ele ainda destacou que o mercado de capitais tem funcionado bem. E que o mercado de trabalho apresenta certa recuperação, apesar de ainda haver incertezas sobre os que estão na informalidade.

Aprendizado

Durante sua fala, Campos Neto destacou que a economia "aprendeu" a lidar com as restrições impostas pela Covid-19, citando o exemplo de varejistas que passarm por uma reformulação de sua atuação no ambiente digital.

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Ele começou sua exposição apresentando dados de casos e mortes pela Covid-19 no país, comparado com outros países. E demonstrou expectativa para a aceleração da vacinação nos próximos meses.

"O Brasil não é um campeão da vacina (na pandemia), mas está indo relativamente bem em comparação com outros países".

Campos Neto se mostrou otimista em relação à retomada da atividade econômica no segundo semestre, mas destacou que isso dependerá do avanço da campanha de vacinação. Na visão dele, esse processo deve se acelerar nos próximos meses.

O presidente ainda afirmou que o BC espera um crescimento de cerca de 3,5% para o PIB no ano que vem. "Vai depender de vacinas e da segunda onda", afirmou.

Orçamento

Sobre o imbróglio do Orçamento, Campos Neto reconheceu que a demora na busca por uma solução atrapalha, mas ressaltou que o BC não participa dessas tratativas.

"O BC não participa desse processo de elaboração do Orçamento. Cria mais incerteza fiscal, tem um efeito nos juros longos. Isso impacta a maneira como a gente formula políticas monetárias".

Em tom mais otimista, o presidente destacou avanços que foram feitos no país durante a pandemia, como a maior digitalização no banco, citando o exemplo bem sucedido do Pix, além de pautas aprovadas no Congresso, como o novo Marco do Gás, do Saneamento e a autonomia do BC.


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