Impacto não deve ficar apenas nas bombas, mas poderá ser encontrado em produtos essenciais
Arquivo/Agência Brasil
Impacto não deve ficar apenas nas bombas, mas poderá ser encontrado em produtos essenciais

Após o anúncio do terceiro reajuste no ano nos preços dos combustíveis e do gás de cozinha , os consumidores ficaram preocupados com o peso que os aumentos terão no bolso. De acordo com a Petrobras , a gasolina sofrerá aumento de 8,1% nas refinarias, enquanto o diesel e o gás de cozinha devem registrar crescimento de 6,1% e 5,2%, respectivamente.

A estatal justifica o aumento no preço do barril de petróleo internacional para os reajustes nas últimas semanas. O valor no mercado externo atingiu US$ 60 por barril, o preço registrado em um ano.

Para o professor de economia do Ibmec-BH , Felipe Leroy, os reajustes são inevitáveis e não deve demorar para atingir o consumidor na hora de abastecer. O especialista lembra que os aumentos seguem tendências internacionais.

“O aumento é inevitável e isso vai chegar ao consumidor em breve. O mercado internacional está muito volátil e a cotação do dólar imprevisível. Não deve demorar muito para que o preço nas bombas dispare. O mais afetado com essa política é a classe mais baixa, já que esse tipo de reajuste atinge mais os assalariados”, afirma Leroy.

O aumento nos preços dos combustíveis acontece três dias após uma reunião entre Jair Bolsonaro e o presidente da estatal, Roberto Castello Branco , em que foi discutida a política de preços da Petrobras e as medidas pretendidas pelo Governo Federal para diminuir encargos federais. Bolsonaro pretende negociar com os estados para a redução da alíquota do ICMS e com o Congresso Nacional para diminuir as taxas de PIS/Cofins .

A medida tem como objetivo atender as demandas de caminhoneiros, que iniciaram uma greve no começo do mês , mas a baixa adesão provocou o recuo da categoria . Um dos receios do Governo foi que a manifestação causasse desabastecimento e aumento de valores de produtos essenciais.

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“O combustível provoca aumento em qualquer produto. Tudo depende, direto ou indiretamente, do petróleo. A caneta que usamos, contém petróleo, o celular para chegar até mim, precisou de um caminhão para trazer”, afirma Leroy.

“Não vai ser apenas quem tem carro que será afetado, quem quiser comprar algum produto que dependa de transportes será atingido. O país depende da logística e qualquer coisa que afete isso será impactado”, explica.

A volatilidade na política de preços da Petrobras provocou a queda nas ações da estatal na Bolsa de Valores , que apresentou recuo de 4,14%. A situação, segundo especialistas não deve se alterar, pois há possibilidade de novos reajustes nos próximos dias.

“A política de preços é um dilema. A possibilidade de interferência do Governo Federal nas decisões pode prejudicar ainda mais”, ressalta o professor.

“Ainda é incerto os efeitos da tentativa do Governo de diminuir os impostos. Pode funcionar em um primeiro momento, mas poderá ter reajustes até chegar nos preços atuais”, lembra.

Para o consumidor final, de acordo com o levantamento da Agência Nacional do Petróleo (ANP) , a gasolina custa, em média, R$ 4,76, enquanto o diesel está no patamar de R$ 3,73 e o GLP R$ 77,93.

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