pedro guimarães, presidente da caixa
Marcello Casal Jr/Agência Brasil
Pedro Guimarães, presidente da Caixa Econômica Federal, promete programa de microcrédito em 2021 com contas digitais do auxílio

A Caixa Econômica Federal pagou auxílio emergencial para um total de 67,7 milhões de brasileiros. Dos 48 milhões que não eram cadastrados no Bolsa Familia, 33 milhões não tinham conta em banco antes da pandemia, explicou o presidente da Caixa, Pedro Guimarães, em entrevista ao programa "Cenários com Sônia Racy", do jornal O Estado de S. Paulo . Para pagar o auxílio, a instituição precisou criar contas no modelo digital para depositar o benefício — fazendo saltar a bancarização no Brasil neste ano.

"A gente conseguiu gerar 33 milhões novos clientes, do ponto de vista de inserção social e digital. São contas gratuitas, pelas quais é possível fazer transferências, pagamentos de contas, pagamentos de boletos. E vão continuar valendo após a pandemia, podendo sacar nos terminais de autoatendimento. Ou seja, o cidadão pode fazer basicamente tudo. Apenas se houver muito consumo, vai passar a pagar as tarifas normais, já que essa conta foi criada com a hipótese de que o público é pessoas mais humildes", declarou Pedro Guimarães .

Segundo o presidente da Caixa, a aceleração da bancarização também só foi possível por conta de flexibilizações no recolhimento de dados, aprovadas pelo Banco Central neste momento de pandemia. Todas essas mudanças devem possibilitar também o lançamento de um programa de microcrédito no banco, no ano que vem.

"O microcrédito era um projeto sobre o qual estávamos debruçados já antes da pandemia. Mas a discussão que tínhamos internamente era de que não seria economicamente possível e rentável realizar operações de empréstimo de R$ 100 ou R$ 200 utilizando nossa base de agências, nem os lotéricos. A única maneira era via um aplicativo, o que acabamos desenvolvendo agora. Então a questão da solução via contas digitais acelerou em anos o projeto principal que tínhamos na Caixa ", contou Guimarães.

O presidente afirmou ainda na entrevista que a previsão é de que o novo programa chegue ao público em fevereiro ou março de 2021:

"Essas pessoas, antes, quando precisavam de dinheiro, tomavam em agiotas ou financeiras, com juros de até 20% ao mês. Após a pandemia, vamos lançar um grande programa de microcréditos, utilizando essa conta digital, e colocá-lo por uma fração pequena do que se cobrava antes dessas pessoas. Vai ser algo muito diferenciado", celebrou Guimarães.

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