Brasil Econômico

Bolsonaro e Guedes
Marcos Corrêa/PR
Com a entrada de novos secretários especiais no Ministério da Economia, substituindo os que saíram na debandada, Guedes cria uma nova configuração para opinar nas indicações para estatais, junto com a ala militar do governo

A saída de membros importantes do Ministério da Economia, episódio que ficou conhecido como  "debandada", afetou a forma como são escolhidos os ocupantes de cargos de empresas públicas. O ministro da Economia,  Paulo Guedes, disse a aliados que sua equipe deve discutir com ministros do Palácio do Planalto os nomes indicados por políticos do centrão para estatais. Isso porque os congressistas querem ocupar cargos de estatais e outros órgãos.



As informações foram obtidas por reportagem do jornal Folha de S.Paulo.

Com a entrada de novos secretários especiais no Ministério da Economia, substituindo os que saíram na debandada, Guedes cria uma nova configuração para opinar nas indicações para estatais, junto com a ala militar do governo.​

Guedes quer que os currículos dos indicados para as empresas públicas sejam analisados em conjunto para verificar se eles têm perfil adequado ao exigido pela vaga e também para checar se o candidato tem registros criminais.


Entenda a nova "cúpula" de Guedes que opina na escolha de ocupantes de cargos de estatais

A equipe formada para opinar na escolha de cargos de estatais seria liderada por dois membros da equipe econômica e dois ministros palacianos – que seriam Walter Braga Netto (Casa Civil) e Luiz Eduardo Ramos (Secretaria de Governo).

Secretário do governo Bolsonaro, Ramos é responsável direto pela negociação entre governo e Congresso. Ele também cuida da conversa entre o Ministério da Economia e congressistas.

Nessa nova "cúpula", os integrantes da euipe de Guedes seriam os novos secretários especiais Caio Andrade (de Desburocratização, Gestão e Governo Digital) e Diogo Mac Cord (de Desestatização).

Andrade e Mac Cord substituíram Paulo Uebel e Salim Mattar, secretários que saíram do Ministério na debandada.

O Ministério da Economia acredita que a indicação política não necessariamente significa permitir a entrada de criminosos no governo e que, em muitos casos, é necessário indicar algum nome.

Nessa lógica, políticos do Nordeste, por exemplo, poderiam indicar engenheiros da região para conduzir trabalhos, como obras de infraestrutura, nas estatais.

Relembre a debandada do Ministério da Economia

Esse novo quarteto substituiria a tarefa de Salim Mattar, secretário da Economia que costumava se encontrar frequentemente com o presidente Jair Bolsonaro para conversas.

A saída de  Salim Mattar ocorreu junto com a de  Paulo Uebel, também ex-secretário especial de Guedes, no episódio chamado publicamente por Guedes de  "debandada".

Na época, o ministro Guedes confirmou os pedidos de  demissão após uma reunião com o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e com o líder do PP na Casa, deputado Arthur Lira (AL). 

Sobre o período de trabalho de Salim Mattar, a avaliação é que não houve tantas privatizações  como esperado, porém também não houve escândalos. Atualmente, o clima é que Mattar saiu e o centrão chegou.

Mattar tinha essa tarefa de cuidar das estatais justamente porque a Localiza, locadora de veículos criada por ele, tinha uma governança bem vista.

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