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Marcello Casal Jr/Agência Brasil
Reabertura do comércio e crescimento de vendas online contribuem para retomada do varejo

As vendas no varejo desaceleraram após o setor ser o primeiro a recuperar as perdas ocasionadas pela pandemia, mas seguem surpreendendo positivamente o mercado financeiro. Dados divulgados nesta quinta-feira (10) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que o comércio avançou 5,2% em julho, na comparação com junho. Foi o terceiro mês consecutivo de alta na comparação mensal, após as quedas históricas registradas em março e abril.

A magnitude do crescimento surpreendeu os analistas, cuja alta esperada era de 1,2% no período, segundo projeção da Reuters . O  varejo já recuperou o nível de vendas anterior as medidas mais restritivas de distanciamento social. Em maio e junho, o segmento cresceu 13,3 e 8,5%, respectivamente.

Os números seguem indicando que a retomada do varejo ainda está ancorada em poucos setores, aos bens essenciais consumidos durante pandemia, como hipermercados e artigos farmacêuticos, além da venda de móveis e eletrodomésticos.

Os dados indicam que o comércio está 5,3% acima do patamar registrado em fevereiro deste ano, antes dos efeitos drásticos da pandemia serem sentidos. Se comparado ao mesmo período do ano passado, a alta é de 5,5%.

"Até junho, houve uma espécie de compensação do que ocorreu na pandemia, então em julho a recuperação já tem um excedente de crescimento", avalia Cristiano Santos, gerente da pesquisa.

Economistas afirmam que o varejo deverá enfrentar desafios maiores agora para avançar do que no período anterior a pandemia. Além de uma curva de contágio ainda elevada, há outros fatores que podem minar uma retomada sustentável do comércio.

A alta no desemprego , junto com a queda na renda disponível da economia podem segurar a recuperação da economia principalmente no quatro trimestre, quando espera-se que a economia esteja próxima da normalidade.

Com menos recursos disponíveis, menos consumo. Além disso, a  redução do auxílio emergencial de R$ 600 para R$ 300 e das medidas adotadas do governo para diminuir a queda da economia podem influenciar uma retomada.

Hoje o país tem 18 milhões de brasileiros que não estão procurando trabalho por conta da pandemia ou por falta de vagas onde mora. Apenas no segundo trimestre, 8,9 milhões perderam emprego , segundo o IBGE.

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