Pedro Guimarães
Reprodução TV Brasil
Pedro Guimarães chamou funcionários de 'família' e chorou durante discurso no evento de divulgação do Casa Verde Amarela

Nesta terça-feira (25), o presidente da Caixa Econômica Federal, Pedro Guimarães, chorou ao falar dos funcionários do banco durante cerimônia de divulgação do programa  Casa Verde Amarela. O trecho foi divulgado no canal oficial da Caixa como uma homenagem aos funcionários do banco, que tiveram de seguir trabalhando durante a pandemia de Covid-19. Os  bancários da Caixa, por outro lado,  ameaçaram entrar em greve na semana passada.

"Eu tenho uma dívida eterna com os funcionários da Caixa, porque nós pagamos [o auxílio emergencial ] no meio da pandemia. Esse crachá aqui não é político, porque eu sou um técnico (...) quando a gente tá no meio da pandemia, abrindo às oito horas da manhã, chegando seis horas da manhã, estando nos sábados, no momento mais tenso que foi em abril, eu senti um orgulho enorme dessa família. Cada pessoa que a gente perde – são poucos – eu sinto como uma pessoa da minha família", disse Guimarães, chorando.


No entanto, bancários da Caixa denunciam que o  trabalho aos sábados tem burlado as regras trabalhistas da categoria. Além disso, durante a pandemia de Covid-19,  reportagem do iG mostrou que o número de equipamentos de proteção individual (EPIs) comprado pelo banco era inferior ao número de funcionários que deveria usá-los – ou seja,  parte dos funcionários da Caixa trabalhava sem proteção durante o pagamento do auxílio emergencial.

Na última sexta-feira (21), a Fenae (Federação Nacional das Associações do Pessoal da Caixa) divulgou que os bancários pensam em entrar em greve por conta da retirada de direitos planejada pelo banco.

Segundo o presidente da Fenae, Sérgio Takemoto, a Caixa quer cortar o plano de saúde dos empregados. A instituição propõe alterações no modelo de custeio do Saúde Caixa, que vão encarecer o custo para todos os usuários.

“Em um momento de pandemia e com os empregados da Caixa na linha de frente do atendimento e expostos aos riscos de contágio, o banco quer restringir o acesso a esse direito básico sob a falsa alegação de que a intenção é manter a sustentabilidade do plano de saúde”, diz Takemoto.

A Fenae aponta que o  congelamento salarial de funcionários públicos implicará em uma diminuição de 2,65% nos salários do bancários, considerando as perdas inflacionárias. Além disso, os bancos pretendem reduzir a Participação nos Lucros e Resultados (PLR) em quase metade (até 48%), retirar a 13ª cesta alimentação, diminuir a gratificação de função (de 55% para 50%) e alterar direitos dos bancários que sofreram acidente de trabalho.

Sobre a greve, os bancários rejeitaram a proposta apresentada pela Federação Nacional dos Bancos (Fenaban). “A possibilidade de uma greve da categoria não está descartada, caso os bancos insistam na retirada de direitos”, diz o presidente da Fenae. Assembleias dos bancários acontecem nesta terça-feira (25).

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