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Pablo Jacob/Agência O Globo
Bolsonaro lamentou derrubada de veto sobre reajuste de servidores e disse que será impossível governar o Brasil

O presidente Jair Bolsonaro afirmou nesta quinta-feira (20) que será "impossível governar o Brasil" se a Câmara seguir o Senado e derrubar o veto que impedia o reajuste do salário de servidores públicos até 2021. Segundo Bolsonaro, a medida teria um custo de R$ 120 bilhões.

"Ontem o Senado derrubou um veto que vai dar um prejuízo de 120 bilhões para o Brasil. Então, eu não posso governar o país. Se esse veto for mantido na Câmara, é impossível governar o Brasil. É impossível", disse Bolsonaro a apoiadores, na saída do Palácio da Alvorada.

Para evitar uma derrota na Câmara, o governo conseguiu adiar para a tarde desta quinta-feira a votação do veto na Casa, que estava prevista inicialmente para esta noite.

Por meio da assessoria de imprensa, o Ministério da Economia disse que está "muito preocupado com a possível derrubada do veto e com as possíveis consequências para as contas públicas, em especial de estados e municípios". A pasta disse que estar "junto (à) Câmara dos Deputados tentando manter ponto tão importante para a saúde das contas públicas".

O ministro da Economia, Paulo Guedes, chamou de "crime contra o País" a decisão do Senado de derrubar o veto presidencial aos reajustes de servidores . "Pegar o dinheiro da saúde e permitir que se transforme em aumento de salário de funcionalismo é um crime contra o país", disse. Porém, a fala do ministro mostra uma contradição clara, já que o próprio governo "pegou dinheiro da saúde" em meio à pandemia ao vetar reajuste aos profissionais da área. Por mais que outras profissões seriam beneficiadas pela derrubada do veto no Senado, em nenhum momento o governo sinalizou que protegeria os profissionais da saúde do congelamento de salários, pelo contrário, fez questão de defender que todos os servidores ficassem sem aumento em 2021.

"Houve um sinal muito ruim hoje [nesta quarta, 19]. O Senado derrubou o veto do presidente da República. Nós colocamos muitos recursos na crise da saúde. E hoje o Senado deu um sinal muito ruim permitindo que os recursos que foram para a crise da saúde possam se transformar em aumento de salário. Isso é um péssimo sinal. Isso tem efeito sobre a taxa de juros, é muito ruim", lamentou Guedes.

O congelamento dos reajustes foi uma contrapartida definida pelo governo, como resultado de um acordo, para aprovar o pacote de socorro de R$ 60 bilhões a estados e municípios , cujos cofres foram abalados pela pandemia. A economia estimada pelo governo é de R$ 120 bilhões a R$ 130 bilhões para União, estados e municípios.

Primeiro, o governo definiu congelamento para servidores de todas as áreas, então o Congresso reagiu e flexibilizou o congelamento, permitindo aumento para algumas categorias, incluindo profissionais da saúde.  Porém, Bolsonaro, a pedido do Ministério da Economia, vetou esse "afrouxamento" do congelamento de salários e voltou a impedir aumentos a todos os servidores em 2021. Nesta quarta, o Senado derrubou esse veto do presidente, e cabe à Câmara agora decidir se realmente impõe essa dura derrota ao governo e libera reajustes a parte dos trabalhadores

Antes mesmo da derrota ser sacramentada, já que os deputados podem revertê-la, Guedes já trata o tema como algo perdido. "É um desastre. É preocupante, porque o Senado é a Casa da República, é onde os representantes têm que defender a República. É um péssimo sinal. Não pode o desentendimento político estar acima da saúde do Brasil na hora que o Brasil começa a se recuperar", disse.

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