Incertezas sobre a gravidade do Coronavírus levam instabilidade para o mercado financeiro
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Incertezas sobre a gravidade do Coronavírus levam instabilidade para o mercado financeiro

“O mercado não gosta de incerteza”. Com essa frase o coordenador do curso de administração do Instituto Mauá de Tecnologia, Ricardo Balistiero, sintetiza o que está acontecendo no mercado financeiro no Brasil com as notícias sobre o ainda pouco conhecido Coronavírus , que surgiu na China e já matou ao menos 82 pessoas no mundo.

O Ibovespa, principal índice da bolsa de valores, fechou esta segunda-feira (27) com uma desvalorização de 3,29% , maior queda desde março de 2019.

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Já o dólar comercial subiu 0,6% e fechou o dia sendo vendido a R$ 4,2092. O aumento de número de mortes pelo Coronavírus é apontado como o principal fator para o cenário.

Para Balistiero, o principal problema é que as informações sobre o vírus ainda são incertas , o que impacta diretamente as bolsas de valores no mundo. “O mercado tem aversão a risco”, lembra o professor que aponta dois fatores que pioram o quadro.

“A OMS (Organização Mundial de Saúde) errou nas primeiras divulgações sobre a gradação da gravidade do vírus . Isso já está resolvido mas trouxe insegurança", avalia.

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 “Segundo ponto é que o mundo não pode confiar plenamente nas informações vindas da China, que é um país em desenvolvimento, com problemas sanitários, muito populoso e uma ditadura. Manipular uma informação , em uma ditadura, não é difícil. Por isso não há certeza que o vírus realmente afetou 2.700 pessoas e fez 82 vítimas", alerta.

Tensão agravada

Brexit, incêndios na Austrália, tensão entre Estados Unidos e Irã também agravam o cenário econômico mundial
Wikimedia Commons/Ilovetheeu
Brexit, incêndios na Austrália, tensão entre Estados Unidos e Irã também agravam o cenário econômico mundial

O professor ressalta a notícia do coronavírus ainda surgiu em um cenário internacional que já estava tenso desde a virada do ano.

“O ano  começou muito impactado pela crise ente Irã e Estados Unidos, o Brexit (a saída do Reino Unido da União Europeia), tensões nos países latino-americanos, principalmente Bolívia e Venezuela, e os incêndios na Austrália, que certamente, vão impactar a economia global”, avalia.

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O professor ressalta, entretanto,  que ainda é cedo para dizer se o impacto do coronavírus vai afetar a economia mundial no médio e longo prazo .

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Ele lembra o fenômeno da Síndrome Respiratória Aguda Grave (Sars, na sigla em inglês) que atingiu o mundo em 2002, surgida também na China.

“Por enquanto é mais um elemento (que impacta a economia). Não se sabe se terá a mesma dimensão que teve a Sars em 2003, quando a doença impactou negativamente o crescimento global entre 0,1% e 0,5% naquele ano”, explica Balistiero.

A tendência é que o novo vírus vá impactar mais a economia global do que a brasileira, na análise do professor.

“Tanto que o Fundo Monetário Internacional (FMI) já diminuiu a expectativa de crescimento da economia global em 2020 e prevê um pequeno aumento na economia brasileira”, afirma. 

Desafios internos   

O crescimento econômico no Brasil em 2020 “já está precificado”, na avaliação de Ricardo Balistiero, em torno de 2% . Portanto, o coronavírus ou o cenário internacional não deve alterá-lo significativamente.

Ele ainda lembra que o Brasil tem uma “certa gordura para queimar” na economia por estar com a inflação controlada e os juros baixos . "Uma combinação rara no Brasil”, salienta.

Para o professor, os desafios da economia brasileira são internos. “É um ano eleitoral e temos um presidente com uma base precária no Congresso Nacional. Isso pode dificultar muito a aprovação de reformas defendidas pelo governo (Bolsonaro)”, diz.

Ele também vê com apreensão as investigações ligadas ao filho do presidente, Flávio Bolsonaro . “Instabilidade no ambiente político pode afetar a economia porque essas investigações respingam no presidente”, afirma.

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 E mesmo com baixo risco de “piorar”, Balistiero lembra que um crescimento anual de 2% no Produto Interno Bruto (PIB) “não atrapalha, mas ajuda pouco”.

“Está longe do ideal para superar desafios como os 12 milhões de desempregados e a informalidade”, conclui.

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