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renegociar dívidas, planejar, conversar, cortar supérfluos, são dicas para começar 2020 com a vida financeira em dia

Diante do sucesso do primeiro mutirão de renegociação de dívidas , fruto de um acordo entre o Banco Central e a Federação Brasileira dos Bancos (Febraban), as duas instituições já  preparam uma nova edição da medida para 2020.

Mais de 820 mil pessoas participaram da chamada Semana Nacional de Negociação e Orientação Financeira na primeira semana dezembro, e o volume de dívidas renegociadas chegou a R$ 4,5 bilhões — com desconto médio de 65% e extensão dos prazos para quitação dos débitos, informou o Banco Central.

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Durante o mutirão, 329 agências bancárias do Banco do Brasil, Banrisul, Bradesco, Caixa Econômica Federal, Itaú e Santander, em todos os estados do país, funcionaram em horário estendido, até às 20h, oferecendo renegociação dos débitos em atraso.

Para ter acesso ao benefício, os clientes precisaram assistir a um vídeo de educação financeira , com dicas de como organizar e equilibrar o orçamento doméstico. Nas agências, 560 mil pessoas assistiram ao conteúdo - e na internet, o vídeo foi visto mais de 173 milhões de vezes.

E planejamento financeiro , que é uma das formas de fugir das dívidas e aproveitar mais o dinheiro, pode estar, junto com as dietas e prática de exercícios físicos, entre os desejos de início de ano de muitos brasileiros. Veja algumas dicas para alcançar esse objetivo:

1 - O diagnóstico

Em sites de instituições públicas e privadas e em redes sociais, há muitas ferramentas, cursos e dicas para organizar o orçamento familiar.

O planejamento financeiro é o primeiro passo para colocar as contas em dia, segundo o economista e professor licenciado da Universidade de Brasília (UnB), Newton Marques.

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 “É colocar no papel tudo o que ganha no mês e o que gasta. Depois, tem que separar o que é dispensável, supérfluo, do que é indispensável”, disse.

Ele acrescenta que o ideal é projetar quanto se terá de renda ao longo do ano. “Se os gastos são maiores que a renda, tem começar a cortar o que não é indispensável. Tem que ter TV a cabo, gastar com celular, cada um ter um carro? Isso não é supérfluo. Se não tem onde cortar, é o mesmo que dizer que vai tomar dinheiro emprestado e pagar juros”, disse.


"Tem que cortar o que não é indispensável", sugere o economista Newton Marques (UnB)


2 - Tenha uma reserva

O economista também explicou que é importante fazer uma reserva para emergência e para realizar sonhos, como trocar de carro, comprar uma casa ou realizar uma viagem.

Para Marques é preciso haver uma mudança de comportamento dos brasileiros em relação às próprias finanças, evitando o imediatismo.

“É como parar de fumar, de beber, deixar de ser sedentário, cuidar da saúde, cuidar do relacionamento familiar. Isso tudo é uma mudança de comportamento. O pior é que problemas com as finanças levam a um desgaste muito grande da saúde, psicológico e isso vai afetar a família”, disse.

3 - Converse com a família

Apesar de saber que é difícil conversar com a família sobre as fianças, Marques orienta romper essa barreira.

“As pessoas acham que problema de dinheiro tem que empurrar com a barriga. Isso é cultural. Em outros países, isso é levado a sério, mas, aqui no Brasil, não. Talvez por conta o período da hiperinflação muito recentemente. Tem só 25 anos que controlamos a inflação”, recorda.

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 Ele citou como exemplo os japoneses que evitam o consumo e poupam menos com juros negativos. “No japão, se falar para gastar eles pegam o dinheiro e poupam. Mas aí alguém pode dizer: mas eles chegaram em um ponto que atenderam as necessidades mínimas. Tudo bem, mas uma família tem condições de fazer além do que pode? Como trocar de celular toda hora, televisão, carro?”, argumenta.

4 - cuidado com as festas de fim de ano

Uma pesquisa realizada pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) nas 27 capitais do Brasil mostrou que 33% dos brasileiros têm intenção de presentear no Natal, mesmo com contas em atraso . Destes, 66% estão com restrição em seus CPF.

Para a economista-chefe do SPC Brasil, Marcela Kawauti, o consumo exagerado e descontrolado pode fazer com que o consumidor enfrente problemas no próximo ano.

“É importante lembrar que muitas famílias se encontram em aperto financeiro, além de, em alguns casos, carregar dívidas do Natal do ano passado. O recomendável é não se deixar levar pelas emoções, e planejar as despesas de acordo com o orçamento, sempre priorizando a quitação de contas, orienta Marcela.

5 - Use a internet para aprender

Entre os sites com dicas para organizar as finanças , está o do Banco Central. Na página “cidadania financeira” , é possível escolher entre três perfis: Quero me planejar; Estou endividado; Quero aprender a poupar e investir. Após escolher o perfil, o cidadão é direcionado para conteúdos específicos.

No caso dos endividados, por exemplo, a primeira dica é listar todas as dívidas e fazer um orçamento, com corte de gastos. Além disso, a orientação é buscar renda extra, renegociar com credores e não fazer novas dívidas.

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 “Se já estiver excessivamente endividado, não fique parado. Quanto mais tempo, pior a dívida irá ficar, devido a diversos fatores, como juros e multas. Procurando onde seus gastos podem diminuir? Lembre-se de eliminar por completo os desperdícios, reduzir os supérfluos e otimizar a despesa com os produtos necessários. Tenha calma! Para tudo há solução”, diz o site.

O BC orienta ainda que toda a família se envolva na solução do endividamento.

“É importante que toda a movimentação de recursos, incluindo todos os investimentos, receitas e despesas, esteja organizada. Isso requer participação e comprometimento de cada membro da família, considerando os diferentes perfis de comportamento financeiro de seus integrantes”, informa.

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