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Estima-se que mercado de organização movimente R$ 10 bi por ano no País; Veja a personal organizer que alcançou renda do antigo emprego em 9 meses

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Ludmila Pizarro - iG
Sexta edição do Personal Organizer Brasil 2019 reuniu cerca de 1.300 participantes

O que antes era visto como uma simples tarefa e até mesmo uma obrigação doméstica, tornou-se um mercado em crescimento  e a profissão personal organizer, ou organizadora profissional, começa a ser reconhecida no Brasil.

“Antigamente o trabalho de casa era visto de uma forma negativa, como se a mulher que o fazia não tivesse opção. Hoje, a organização residencial pode abrir um mercado para essa mulher e torna-la uma empreendedora”, afirma a personal organizer e instrutora, Priscila Sabóia que tem um site sobre o assunto .

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A organização de residências e escritórios – mercado que envolve desde produtos de casa e decoração até serviços como cursos e consultorias de organizadoras profissionais – movimenta cerca de R$ 10 bilhões por ano no Brasil, na estimativa de José Luiz Cunha, organizador do evento Personal Organizer Brasil (POB).

Priscila Saboia personal organizer arrow-options
Ludmila Pizarro - iG
Priscila Sabóia (esq) tira selfie com uma fã no Personal Organizer Brasil 2019

“A estimativa é baseada em alguns levantamentos do setor feitos por empresas. E pensando que nos Estados Unidos o mercado movimenta US$ 40 bilhões anualmente, uma estimativa de R$ 10 bilhões para o Brasil é bem factível”, afirma.

O próprio evento é um exemplo de crescimento desse mercado. Segundo Cunha, em seis edições, o público cresceu quase quatro vezes . “Começamos com 350 pessoas em 2014 e hoje temos 1.300 pessoas participando das palestras, sem contar o público da feira”, conta.

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Ele se refere a feira Organiza Brasil, exposição de produtos ligados a organização que reúne cerca de 50 expositores e recebe 3.000 visitantes por edição. O POB 2019 aconteceu em São Paulo nos dias 27 e 28 de setembro.

Reinvenção e renda

Úrsula Freire personal organizer arrow-options
Ludmila Pizarro - iG
Úrsula Freire alcançou como personal organizer a mesma renda que no emprego antigo em apenas nove meses

Cerca de 90% do público do POB é formado por mulheres organizadoras profissionais. É o caso de Úrsula Freire , que se tornou personal organizer há nove meses e conta que já igualou a renda a que tinha no emprego antigo como supervisora de telemarketing.

“Fiquei um ano dedicada à minha casa e minha filha. Quando fiz o curso queria uma opção. Hoje, além de ter alcançado a mesma renda do emprego anterior, faço o que gosto e no meu tempo”, afirma a profissional.

Apostar no próprio negócio também foi a motivação de Elisabeth Oliveira, do site Beoli - organizando a vida . “Hoje eu trabalho para mim, investindo em um negócio que tem crescido cerca de 30% ao ano”, afirma  Elisabeth.

Elisabeth Oliveira personal organizer arrow-options
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Elisabeth Oliveira tornou-se personal organizer após trabalhar 34 anos no setor administrativo de uma empresa

Ela conta que trabalhou 34 anos em uma empresa do setor varejista na parte administrativa. Ao sair da empresa, buscou uma alternativa de trabalho. “Eu já tinha uma bagagem de organização. Até os amigos me chamavam para ajudar quando precisavam. E há dois anos eu fiz o curso de personal organizer na OZ organize, por indicação de uma amiga”, relata.

Nichos e redes sociais

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Ludmila Pizarro - iG
Cris Ribeiro é digital influencer do mercado de organização da casa

Com o crescimento do mercado, as organizadoras profissionais estão se especializando, segundo Priscila Sabóia, que está nesse mercado desde 2011. “Existem nichos , como organização de mudanças, de escritórios, cursos de organização para empresas e para enlutados”, explica Priscila.

Elisabeth Oliveira, por exemplo, conta que atua em mudanças, chegada do bebê e agora tem trabalhado com enlutados . “É um setor muito sensível porque você tem que ajudar o cliente a repensar a rotina, desfazer de coisas, organizar a casa após a perda de um ente querido”, diz.

Além da especialização, outra tendência é a presença nas redes sociais . Rafaela Oliveira é personal organizer e criou o blog Organize sem frescuras  em 2012 com dicas de organização, decoração, limpeza e faça você mesmo.

Hoje ela tem 1,2 milhão de seguidores no Youtube, 550 mil no Instagram e mais de 1 milhão no Facebook. “Não precisa ser um especialista de mídias sociais , mas é necessário estar lá. O cliente conhece (o personal organizer) pela internet hoje em dia. É o cartão de visitas dele”, afirma Rafaela.

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Cris Ribeiro, por exemplo, atua apenas pelas redes sociais. Ela é uma digital influencer especializada no setor e dá dicas sobre organização da casa, limpeza, compras e dicas de decoração em seus canais no  Youtbe  e  Instagram .

“Ofereço cursos no Youtube e ressalto a necessidade de organizar a mente para poder organizar o espaço”, conta Cris Ribeiro, que além de influencer, atualmente estuda teologia.

Por onde começar?

Christian Barbosa arrow-options
Ludmila Pizarro - iG
Especialista em produtividade e gestão do tempo, Christian Barbosa dá dicas de como começar na carreira

Para quem se interessa pela nova profissão de personal organizer, existem vários cursos presenciais e online. O especialista em produtividade e gestão do tempo Christian Barbosa, afirma, porém que não é necessário abrir mão do emprego para apostar na nova carreira.

“Se fizer a gestão do tempo, o profissional pode começar investindo parte desse tempo e até gerar renda extra, seja como personal organizer, seja com outra profissão”, afirma o especialista.

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Barbosa tem um canal no youtube com dicas sobre gestão do tempo, inclusive alguns vídeos dedicados às mulheres.

Para quem quer começar um novo negócio , com planejamento de tempo, ele dá duas dicas. A primeira é fazer o planejamento para o futuro. “Não adianta planejar o amanhã, porque as coisas urgentes vão arruinar seu planejamento. Pense para o futuro , pelo menos três dias para frente, já vai fazer muita diferença”, afirma.

A outra é ter alguma ferramenta de controle do planejamento. “Pode ser um software, para o planejamento de uma empresa, por exemplo, ou usar o post-it , não importa. A pessoa precisa ter uma ferramenta para acompanhar o planejamento e confiar nela”, conclui.

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