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Para especialista, dinheiro extra deve ser usado para pagamento de dívidas. Movimento estimula retorno do brasileiro endividado ao consumo.

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Repodução/ITV
Liberação dos recursos do FGTS foi comemorado pelas entidades ligadas ao varejo, já que deve estimular o consumo e o pagamento de dívidas

Entidades do setor varejista , que reúne comércio e serviços, repercurtiram positivamente o anúncio da de ampliar as regras para saque das contas do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS). 

A Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) soltou uma nota para "manifestar apoio" à decisão de liberar os saques de contas do FGTS . "A entidade acredita que a medida vai ao encontro das expectativas dos varejistas, que esperam ações que contribuam para a dinamização da economia", afirma a nota da confederação.

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O economista da Associação Comercial de São Paulo (ACSP) Marcel Solimeo, avalia a decisão do governo de liberar os saques como "acertada”. Ele, entretanto, pondera que deixar os saques apenas para setembro "reduzirá o impacto que essa medida poderia ter sobre o varejo", declara o economista.

"O ideal seria que os saques fossem liberados de uma só vez agora em agosto, de maneira a se aproveitar o Dia dos Pais, visto que o comércio já está montando uma estrutura de marketing, com liquidações e promoções, para a data comercial . Com a liberação adiada para setembro, perde-se um pouco do  timing ", avalia Marcel Solimeo.

Para Solimeo, parte do valor liberado será usado para compras, mas mesmo quando o dinheiro é usado para quitar débitos, o varejo sai ganhando. “E mesmo aqueles que usarem o dinheiro para pagar dívidas, uma vez com o débito quitado, eles ficarão livres para fazer novas compras”, comenta.

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Essa também é a avaliação do economista Flávio Calife, da empresa de análise de crédito Boa Vista SCPC.  Para ele, o dinheiro extra deve não apenas estimular o consumo de bens e serviços como também ajudar o consumidor endividado a quitar os débitos – e, assim, ganhar fôlego para fazer novas compras parceladas.

Ele lembra que a liberação de recursos de contas inativas, há dois anos, colaborou para as vendas do varejo terem a primeira alta em dois anos. "Desta vez não deve ser diferente uma vez que o dinheiro deve aliviar o endividamento do consumidor, e o risco de inadimplência", avalia  Calife.

Para o presidente da CNDL, José César da Costa, o acesso aos recursos do fundo pode beneficiar o brasileiro que mais necessita. “Os saques devem atender às necessidades de quem mais sofre neste momento, os cidadãos das classes C, D e E, que estão há muito tempo sem liquidez ”, declara Costa.

Em abril deste ano, o Indicador de Uso do Crédito, apurado pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil), mostrou que 17% dos consumidores brasileiros tiveram crédito negado ao tentarem fazer uma compra a prazo. O levantamento aponta que a principal razão para a negativa é o fato de estarem com o nome inserido em cadastros de inadimplentes (27%). O estudo é realizado bimestralmente e, neste caso, tem o mês de abril como referência.