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De acordo com pesquisa feita pela CNDL e pelo SPC, a dívida média chegou a R$ 3.239,48 em maio, 41% acima da renda média mensal do trabalhador

Mulher com dívidas
Reprodução
Brasileiro inadimplente deve, em média, R$ 3.239,48, mais de três salários mínimos

Os brasileiros inadimplentes devem, em média, R$ 3.239,48, mais de três vezes o salário mínimo atual do País (R$ 998), de acordo com pesquisa feita pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) no mês de maio. O valor supera em 41% a renda média mensal do trabalhador brasileiro (R$ 2.291, segundo o IBGE). Cada consumidor negativado têm, no geral, duas dívidas em aberto.

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Em cada dez consumidores que estão com o CPF inscrito na lista de inadimplentes , quatro (37%) devem até R$ 500 e a maioria (53%) possui dívidas que não ultrapassam R$ 1.000. Já 20% devem valor entre R$ 1.000 e R$ 2.500, ao passo que 16% devem entre R$ 2.500 e R$ 7.500. As dívidas acima de R$ 7.500 são objeto de preocupação para apenas 10% das pessoas que estão negativadas no Brasil.

O presidente do  SPC Brasil, Roque Pellizzaro Junior, avalia que os números refletem o atual quadro de dificuldades econômicas, com as famílias ainda enfrentando um alto nível de desemprego e a renda comprimida. "A conjuntura ainda é desfavorável, pois a economia tem enfrentado dificuldades para esboçar uma reação mais forte para sair da crise. As expectativas que eram positivas até uns meses atrás estão sendo revisadas seguidamente para baixo, o que afeta a confiança de consumidores e empresários. Além do cenário macroeconômico adverso, o descuido dos consumidores com as finanças leva à situação de descontrole e ao consequente atraso das contas", explica Pellizzaro Junior.

Em maio deste ano, o volume de consumidores com contas em atraso e com restrições no CPF  cresceu 2,3% em relação ao mesmo mês do ano passado. Trata-se de uma leve aceleração na comparação com os primeiros meses de 2019. Em abril, o crescimento fora de 2,0%, em março de 2,1% e em fevereiro de 1,8%. Já em janeiro, a alta observada havia sido de 2,4%, também na comparação anual.

Entre as regiões, a maior variação da inadimplência foi nos estados da região Sudeste, que teve alta de 3,83% frente a maio do ano passado. A menor foi no Nordeste, que apresentou uma leve variação de 0,53% na quantidade de devedores. Em seguida aparecem o Sul (2,31%), Centro-Oeste (1,60%) e Norte (1,23%).

Dados detalhados por faixa etária revelam que o crescimento da inadimplência é maior entre a população mais velha. O maior crescimento no atraso de contas foi observado na população idosa, que varia de 65 aos 84 anos, cuja alta foi de 9,16%. Em seguida aparecem os consumidores de 50 a 64 anos (4,92%), de 40 a 49 anos (3,55%). Já na faixa dos 30 aos 39 anos houve uma leve queda de 0,43%. Também houve recuo entre as faixas etárias mais jovens como dos 18 aos 24 anos (-22,62%) e dos 25 aos 29 anos (-8,91%).

Maior parte das dívidas são com bancos

O levantamento revela que mais da metade (53%) das dívidas pendentes de pessoas físicas tê, algum banco ou instituição financeira como credor. No entanto, o crescimento mais acentuado em maio foi o de contas básicas, como água e luz, que cresceram 27,2% na comparação com o mesmo período do ano passado.

As dívidas bancárias, que englobam pendências com cartão de crédito , cheque especial, financiamentos e empréstimos cresceram apenas 1,3% no período. As dívidas no crediário contraídas no comércio recuaram 5,1%, assim como as contas de telefonia, TV por assinatura e internet, que caíram 22,1%. No geral, considerando todos os tipos de dívidas, houve uma pequena queda de -0,79% em um ano.

As dívidas no comércio representam 17% do total de pendências no país, seguidas dos segmentos de comunicação (11%) e contas básicas (10%). Para o educador financeiro do SPC Brasil, José Vignoli, para evitar o chamado efeito ‘bola de leve’, o consumidor deve priorizar o pagamento de dívidas com juros mais elevados, que geralmente, são as dívidas bancárias.

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"Uma opção que pode ser analisada em certos casos é a substituição da dívida por uma outra que cobra juros mais baixos, como é o caso do consignado. Já as dívidas com serviços básicos, como água e luz, embora cobrem juros menores, trazem muita dor de cabeça se atrasadas por implicam no corte de fornecimento. Para algumas famílias, a inadimplência chega a um ponto tão dramático, que acabam recorrendo a uma espécie de ‘rodízio’, ou sejam escolhem a cada mês qual conta será paga em detrimento de outra", afirma Vignoli.