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Cage Skidmode/Flickr
Na guerra comercial entre China e EUA, a primeira investida foi dada pelos norte-americanos em 22 de março de 2018

O que começou com a adoção de tarifas sobre aço e alumínio importados de outros países para os Estados Unidos se transformou numa infindável guerra comercial entre as duas maiores potências do mundo. O embate, iniciado oficialmente em julho do ano passado, é marcado por retaliações bilionárias dos dois lados, com reflexos negativos em países emergentes e desenvolvidos, e ganhou novos contornos após os últimos ataques de Donald Trump às empresas chinesas, em especial à gigante Huawei.

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A primeira investida foi dada pelos norte-americanos contra os chineses em 22 de março do ano passado. Na ocasião, Trump anunciou a imposição de taxas de 25% sobre mais de mil produtos médicos, de tecnologia industrial e transporte importados dos asiáticos. Como justificativa, a Casa Branca citou o deficit comercial dos EUA com a China e um suposto roubo de propriedade intelectual por parte dos chineses.

Pequim recorreu à OMC (Organização Mundial do Comércio) para questionar as sanções dos EUA. Na primeira vez, ainda em abril de 2018, os chineses contestaram as tarifas sobre aço e alumínio, consideradas puro protecionismo comercial, e não uma tentativa de garantir a segurança nacional, como defende Trump. Na visão do Ministério das Finanças chinês, a medida foi uma "grave violação ao princípio de não discriminação do sistema multilateral de comércio".

Depois de inúmeras trocas de farpas e retaliações bilionárias, os dois países acordaram uma trégua em dezembro, que viria ao fim cinco meses depois, em maio deste ano. Em 2019, porém, a guerra comercial se tornou uma guerra tecnológica: Trump proibiu empresas norte-americanas de usar equipamentos de telecomunicação fabricados por companhias que representem "risco à segurança nacional", o que abre brecha para banir a chinesa Huawei dos EUA.

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Por ora, nenhum dos lados sinaliza que vai dar o braço a torcer. Pequim rejeitou, no último domingo (2), a responsabilidade pelo fracasso das negociações com Washington e passou à contraofensiva, com ameaças de embargos e novas tarifas. "A respeito da guerra comercial iniciada pelos EUA : se eles quiserem conversar, estamos com a porta aberta. Se quiserem lutar, estamos prontos", declarou o general chinês Wei Fenghe durante um fórum de segurança internacional em Singapura.

Linha do tempo

xi jinping
Divulgação/Governo da Rússia
Em julho de 2018, Pequim acusou Washington de violar as regras da OMC e lançar "a maior guerra comercial da história"

6 de julho de 2018 – O início oficial:  A data é tida como o início – efetivo – da guerra comercial entre os dois países, uma vez que marca o começo da vigência de parte das tarifas impostas por Trump em 15 de junho, que atingiriam US$ 34 bilhões em produtos chineses. Pequim acusou Washington de violar as regras da OMC e lançar "a maior guerra comercial da história econômica". "O lado chinês prometeu não disparar o primeiro tiro, mas [...] foi forçado a fazer contra-ataques necessários", comentou o Ministério de Comércio da China na ocasião.

23 de agosto de 2018 – Mais sanções:  À meia-noite, entrou em vigor o restante das tarifas prometidas anteriormente por Trump. Ao todo, mais US$ 16 bilhões em 279 tipos diferentes de produtos, de óleos lubrificantes a motores de ar-condicionado, seriam taxados em 25%. A reação da China veio exatamente um minuto depois:  Pequim também adotou tarifas de 25% sobre US$ 16 bilhões em bens norte-americanos, que englobavam desde motos Harley-Davidson até suco de laranja.

24 de setembro de 2018 – Terceiro round:  Os EUA cumpriram o compromisso firmado na semana anterior e impuseram mais tarifas, desta vez de 10%, sobre US$ 200 bilhões em produtos chineses. A promessa era de aumentar essa taxa para 25% no fim de 2018. Em resposta a Washington, Pequim divulgou um informe acusando os norte-americanos de renunciar aos princípios fundamentais das relações comerciais para adotar "o unilateralismo, o protecionismo e a hegemonia econômica".

1º de dezembro de 2018 – Trégua parcial:  Donald Trump finalmente cedeu – ainda que pouco – e concordou em suspender por 90 dias o aumento de 10% para 25% das tarifas impostas em setembro. O anúncio veio à tona após um jantar entre o presidente norte-americano e Xi Jinping, ao final da Cúpula do G20 em Buenos Aires. Na ocasião, a Casa Branca disse que usaria o período de trégua para negociar "mudanças estruturais" na política econômica adotada com os chineses.

10 de maio de 2019 – Fim da paz:  Trump adiou em mais de dois meses o fim da trégua acordada em dezembro, mas cumpriu o prometido e subiu as taxas de 10% para 25% sobre US$ 200 bilhões em produtos chineses. Pequim lamentou a decisão dos EUA e afirmou que adotaria as contramedidas necessárias, sem detalhá-las de fato. Os dois países, porém, concordaram em continuar negociando, de forma a minimizar o impacto causado pelas tarifas impostas por ambos os lados.

15 de maio de 2019 – Guerra tecnológica:  Mesmo tendo adotado um discurso mais moderado, Trump não deixou de cutucar a China, ainda que indiretamente. O presidente proibiu empresas norte-americanas de usar equipamentos de telecomunicação fabricados por companhias que representem "risco à segurança nacional", como a Huawei, frequentemente atacada por Trump. A empresa, aliás, foi inserida na chamada "Entity List", uma relação de companhias que só podem comprar matérias-primas norte-americanas com a aprovação de Washington.

1º de junho de 2019 – Resposta da China:  O aumento das taxas de importação sobre produtos chineses e os ataques a empresas do país não passaram batidos. Como anunciado ainda em maio, a  China impôs tarifas de 5% a 25% a mais de 5 mil produtos norte-americanos, de temperos a vodka, avaliados em US$ 60 bilhões. No dia anterior, Pequim também divulgou uma lista de empresas estrangeiras consideradas "não confiáveis", uma clara retaliação às sanções dos EUA contra a Huawei.


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