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Em entrevista ao La Nación, presidente diz confiar na aprovação da reforma da Previdência e defende medidas do governo

Jair Bolsonaro
Isac Nóbrega/PR
Jair Bolsonaro falou sobre a situação da economia brasileira

Em entrevista ao jornal argentino La Nación , dias antes de sua primeira viagem oficial à Argentina, o presidente Jair Bolsonaro voltou a afirmar que está otimista quanto à aprovação da proposta de reforma da Previdência e que os prazos regulamentares estão sendo cumpridos na Câmara dos Deputados.

Bolsonaro ressaltou que esteve reunido com os presidentes da Câmara e do Senado , e também do Supremo Tribunal Federal ( STF ), e que jamais houve qualquer problema entre eles no que se refere à reforma previdenciária. 

"Grande parte da imprensa divulga coisas e faz declarações que não condizem com a verdade. Devido à imprensa internacional, a imagem na Europa da mobilização que ocorreu domingo passado não foi boa: dizem que o povo foi às ruas para defender a agenda de um presidente militar que rememora as práticas do perído de 1964-1985 sobre as liberdades individuais. Não é verdade, mas isso é o que estão pregando lá fora sobre o nosso país", disse o presidente.

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Na pergunta sobre a expectativa quanto a uma melhora substancial da economia brasileira, o que não ocorreu de fato — as projeções de crescimento para 2019 são baixas e o desemprego não cede mesmo com a criação de dois milhões de vagas , segundo dos dados da Pnad Contínua, do IBGE —- o presidente afirmou que a classe empresarial está satisfeita com o governo e com as medidas que estão sendo tomadas. Apesar da crise que assola o país vizinho, Bolsonaro defendeu a política econômica do presidente Maurício Macri.

"Mudar o rumo da economia não é como uma canoa na qual, com um golpe de mão, mudamos a direção. É como um transatlântico. Estamos levando nossa economia para a centro-direita", declarou, lembrando que tem apenas cinco meses de governo.

Bolsonaro citou a viagem que fez aos Estados Unidos, quando conseguiu o apoio do presidente Donald Trump oara que o Brasil ingresse na Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), além de receber o apoo de Istael e Chile. Tamvém ressaltou que o governo tomou medidas de liberdade econômica e de desburocratização que já estão dando resultados.

"O que é mais importante? A confiança. Por isso já reformas que eram impopulares há até pouco tempo que agora estão recebendo o apoio popular, como a reforma da Previdência . Quando se viu no passado que as pessoas saíssem às ruas para defender uma reforma do sistema previdenciário? As pessoas entenderam que, se não fizéssemos reformas agora, teríamos problemas mais sérios à frente. Nossa economia está melhorando, sim", concluiu o Bolsonaro.

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Ao ser perguntado sobre qual o objetivo de sua viagem a Buenos Aires na próxima semana, o presidente afirmou que, quando esteve com Macri , se comprometeu a visitar a Argentina e acertar pequenos detalhes sobre acordo do Mercosul com a União Europeia (UE). O presidente acrescentou que espera que em breve tudo esteja resolvido.

"Estamos conscientes de que podemos perder algumas coisas, mas, em termos gerais, será muito bom. Vamos tratar de outras medidas de cooperação bilaterais. Vou com vários ministros para lá. O que mais quero é que a Argentina continue com a defesa da democracia, da liberdade e do livre comércio", afirmou Bolsonaro