Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil
"O quadro atual ainda é resultado desse ambiente construído por muitos anos", diz comunicado do Ministério da Economia

A Secretaria de Política Econômica do Ministério da Economia divulgou uma nota técnica, nesta quinta-feira (30), atribuindo a  queda de 0,2% do PIB (Produto Interno Bruto) no primeiro trimestre de 2019 a políticas equivocadas adotadas por governos anteriores nos últimos dez anos.

Entre os erros cometidos, segundo o órgão, estão a má alocação de recursos em políticas de estímulos a setores específicos e a deterioração das contas públicas , cuja consequência foi um cenário de aumento da incerteza econômica, queda da produtividade e dos investimentos e crescimento do desemprego.

"O País encontra-se em um ambiente de crise fiscal, desemprego elevado e produtividade estagnada, resultados perversos de políticas equivocadas adotadas na última década", diz um trecho do comunicado. "O quadro atual ainda é resultado desse ambiente construído por muitos anos, e sua reversão requer elevado esforço por parte do governo e da sociedade brasileira".

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A secretaria também citou como fator que contribuiu para a variação negativa do PIB o ambiente externo, caracterizado por incertezas e o crescimento lento da economia mundial – com reflexo tanto sobre o comércio exterior e o fluxo de investimentos. "Com isso, projetos foram adiados e a recuperação da economia revelou-se mais lenta do que o esperado no início do ano". 

Para recuperar o crescimento, a secretaria destacou que o Brasil tem dois desafios principais: quadro fiscal deteriorado e baixa produtividade. O primeiro passo para a melhora dos indicadores seria a aprovação, no Congresso, da reforma da Previdência , o que daria sustentabilidade às finanças públicas. Com isso, as  incertezas em relação ao quadro macroeconômico futuro seriam reduzidas e o País receberia novos investimentos.

Na nota, o órgão reiterou que, para elevar a produtividade, um amplo conjunto de políticas pró-mercado está em elaboração ou implementação pelo governo. O objetivo é reduzir ineficiências alocativas e gerar diminuição de custos no setor produtivo.

Entre as medidas estão reforma tributária , abertura comercial, aperfeiçoamento do mercado financeiro e de capitais, programas de concessão e privatização na área de infraestrutura, choque de energia barata , combate à corrupção e aos desperdícios no setor público e eliminação de gastos tributários e subsídios financeiros e creditícios ineficientes.

"A economia brasileira foi marcada por baixo crescimento nos últimos 40 anos. Nesse período, diversas políticas de estímulo à demanda foram implementadas, demonstrando-se incapazes de promover crescimento sustentado. Precisamos de políticas pelo lado da oferta que visem o crescimento não apenas agora, mas também no médio e longo prazos", destacou o Ministério da Economia .

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