Tamanho do texto

Banco Central Venezuelano divulgou dados oficiais pela primeira vez desde 2015, após pressão internacional por transparência. Entenda a crise e veja a queda da economia desde que Nicolás Maduro assumiu o poder, em 2013

Nicolás Maduro, presidente da Venezuela
Divulgação/Twitter - @NicolasMaduro
Governo de Maduro divulgou números oficiais sobre a economia pela primeira vez desde 2015

O governo da Venezuela admitiu nesta terça-feira (29) o estado devastador de sua economia ao publicar inesperadamente dados que demonstram um aumento da inflação de 130.060% em 2018. Foi a primeira divulgação de indicadores pelo Banco Central do país desde 2015. Os dados revelam ainda que a economia venezuelana se contraiu aproximadamente pela metade desde que Nicolás Maduro assumiu o poder.

Leia também: Maduro anuncia aumento de 300% no salário mínimo da Venezuela

A enorme inflação aponta para um grande aumento no custo de vida na Venezuela , mas ainda está muito abaixo das estimativas do Fundo Monetário Internacional (FMI). Segundo o órgão, a taxa inflacionária do ano passado no país latino-americano foi de 1.370.000% e, neste ano, o número deve ultrapassar 10.000.000% .

Segundo os números do Banco Central Venezuelano (BCV), em 2016, a inflação chegou a 274,4%. Em 2017, chegou a 862,6% e, no ano passado, ultrapassou os 100.000%, a marca mais alta da história do País. Para os primeiros quatro meses de 2019, as estimativas divulgadas por Caracas também são inferiores aos números previstos pela Assembleia Nacional, controlada pela oposição. Enquanto a inflação oficial é calculada em 666%, os números coletados pelo Legislativo indicam 1.047%.

PIB venezuelano cai pela metade

Assembleia Nacional da Venezuela
Reprodução/Twitter
Banco Central Venezuelano admitiu queda do PIB pela metade sob Maduro

As informações sistematicamente ocultadas foram publicadas no site do BCV e também mostram uma queda de 47,6% do Produto Interno Bruto (PIB) entre 2013, quando Nicolás Maduro assumiu a Presidência para seu primeiro mandato, e o terceiro bimestre de 2018. A queda do PIB em 2017 foi de 18,6%. Entre janeiro e setembro do ano passado, a soma de bens e serviços caiu 19,2%. A divulgaçao dos dados foi uma surpresa, após anos de pressão do FMI para que fossem divulgados.

Os dados do Banco Central ilustram uma economia completamente destruída. O setor de construção caiu 95% entre o terceiro trimestre de 2013 e o terceiro trimestre de 2018. A queda registrada pela produção industrial foi de 76%, enquanto as atividades comerciais e bancárias registraram contração de 79%. Os números apontam uma piora significativa a partir dos últimos meses de 2018.

As exportações petroleiras, fonte de 96% da renda do país, despencaram para US$ 29.810.000.000 em 2018. Em comparação, a atividade rendeu US$ 85.603.000.000 em 2013 e US$ 71.732.000.000 em 2014, quando os preços do petróleo despencaram e a crise econômica começou a se agravar na Venezuela.

Desde 2016, o preço do barril voltou a aumentar, mas uma queda abrupta na produção de petróleo dificultou a recuperação do País. De acordo com dados da Organização dos Países Exportadores de Petróleo ( OPEP ), a produção diária de 3.200.000 barris caiu para 1.030.000 no mês passado. Fontes secundárias apontam uma quantidade ainda menor, de 768.000 barris.

Segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), a grave crise já forçou mais de três milhões de venezuelanos a fugir do País desde 2015. A estatística foi divulgada pela ONU em meio ao acirramento das tensões políticas entre Nicolás Maduro e Juan Guaidó, líder opositor que se autodeclarou presidente interino e é reconhecido por mais de 50 países.

Leia também: Maduro propõe antecipar eleição para Congresso liderado pela oposição

Maduro, que chegou ao poder na Venezuela em 2013 como sucessor político do falecido presidente Hugo Chávez, culpa as sanções impostas pelos Estados Unidos pelo colapso da economia. As restrições econômicas aumentaram desde o início do ano, quando Washington declarou apoio a Guaidó.