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Ao contrário do estimado do início do ano (2,53%), Banco Central recua projeção do PIB para 1,24% em 2019; para a inflação, previsão é de 4,07%

Ministro da Economia, Paulo Guedes
Valter Campanato/Agência Brasil
Apesar das expectativas ruins para o crescimento da economia brasileira, Guedes acredita que cenário será revertido com a aprovação da reforma da Previdência


O mercado financeiro vem reduzindo, em ritmo acelerado, as expectativas para o crescimento da economia brasileira no fim deste ano. No Boletim Focus desta segunda-feira (20), divulgado pelo Banco Central (BC), analistas diminuiram, pela 12ª vez consecutiva, a projeção de alta do Produto Interno Bruno (PIB).

De acordo com o relatório, a economia brasileira deve fechar o ano com alta de 1,24%, número 0,21 ponto percentual (p.p) menor do que o estimado na semana passada, que era de 1,45% . Desde o começo do ano, a previsão de alta do PIB do País já caiu 1,29 p.p  — em janeiro. no primeiro Boletim Focus do ano, expectativa era que economia crescesse 2,53% .

Na semana passada, algumas instituições divulgaram prévias do resultado do PIB do primeiro trimestre deste ano, e todas mostraram recuo no crescimento econômico. O Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) prevê uma queda de 0,68% , equanto a Fundação Getúlio Vargas (FGV), que cita um "cenário desanimador" , estima recuo de 0,1% .

O ministro da Economia, Paulo Guedes , no entanto, se mostrou otimista em relação ao cenário atual. Ele disse não estar preocupado com as estimativas ruins . "Isso é som de batalha. É tiro para cá e para lá", declarou.

O ministro disse, ainda, que a situação vai mudar quando a reforma da Previdência for aprovada. "Os poderes estão alinhados e é a primeira vez que vejo Congresso e Executivo falando a mesma língua do ponto de vista econômico. É um processo saudável e construtivo. Em três ou quatro meses a reforma da Previdência será aprovada e as expectativas vão se reverter".

Apesar das declarações, Guedes admitiu que o PIB brasileiro deve ser menor do que o previsto por sua equipe no começo do ano (cerca de 2,5%). De acordo com ele, crescimento será revisado para1,5%

Economia brasileira e a reforma da Previdência

O professor de macroeconomia do Ibmec-RJ e economista da Órama Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários Alexandre Espírito Santo disse que, no final do ano passado e início de 2019, os analistas acreditavam que a nova Previdência , por ser considerada o principal problema fiscal do País, tramitaria de forma mais rápida no Congresso Nacional.

“Por ser mais ou menos um consenso na sociedade que é necessário fazer a reforma, acreditávamos que ia tramitar de maneira célere, que a gente teria no final do primeiro semestre a reforma encaminhada no Congresso Nacional com grandes chances de estar aprovada. Entretanto, depois que o governo começou, as coisas não fluíram dessa forma”, explicou. "Os empresários que estavam querendo começar a investir adiaram os investimentos para quando efetivamente a reforma sair e a gente tiver efetivamente os números na mãos. E aí rapidamente as revisões [para o crescimento do PIB] aconteceram”.

Inflação

flechas apontando para cima e para baixo
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A meta de inflação é fixada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN)


Os analistas do mercado financeiro também fizeream estimativas para a inflação . Segundo o relatório, a expectativa é que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo ( IPCA ), que mede a inflação oficial do Brasil, termine 2019 em 4,07%.

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O valor estimado é 0,3 p.p maior que o de semana passada, quando a projeção era de 4,04%. Apesar da alta, o número ainda está dentro da meta de inflação deste ano, que é de 4,25% com intervalo de tolerância entre 2,75% e 5,75%.