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De acordo com pesquisa da CNC, o índice atingiu 62,7% em abril, maior nível desde setembro de 2015; confira razões e impactos à economia brasileira

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Endividamento das famílias subiu em abril e atingiu maior nível desde 2015

O endividamento das famílias subiu pelo quarto mês consecutivo em abril, atingindo 62,7%, o maior patamar desde setembro de 2015 (63,5%). Os dados foram divulgados pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) nesta terça-feira (7).

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O percentual de famílias inadimplentes também subiu na comparação mensal que leva em conta o período entre abril e março deste ano, passando de 23,4% para 23,9%, apesar da queda em relação a abril de 2018, quando a inadimplência atingiu 25%. De acordo com José Roberto Tadros, a alta do endividamento "É reflexo da continuidade do processo de recuperação das concessões de crédito e do consumo das famílias. Mas é preciso observar que houve alta do comprometimento médio de renda com o pagamento de dívidas, a primeira elevação deste indicador desde setembro de 2018”, pondera.

As famílias que declararam não ter condições de pagar suas dívidas avançou de 9,4% para 9,5% em abril, reunindo as altas da inadimplência e dos próprios débitos. A pesquisa indica que o endividamento, que abrange a maior parcela da população brasileira, incide mais sobre a população de renda mais baixa e classe média.

Para as famílias que ganham até dez salários mínimos, o percentual de endividamento alcançou 63,9% em abril, superando os 63,5% observados em março deste ano e os 62,0% de abril de 2018. No entanto, foi registrada queda entre as famílias que recebem mais de dez salários. Entre março de 2019 e abril de 2019, o índice passou de 58,3% para 57,5%. Em abril do ano passado, no entanto, o percentual de famílias com dívidas nesse grupo de renda era de 52,2%.

O cartão de crédito foi, para 77,6% dos entrevistados, a principal razão da dívida, seguida por carnês, citados por 15,3%, e financiamento de carro, para 10,0% dos abordados.

Ao passo que cresce o endividamento das famílias e a economia segue estagnada, com desemprego atingindo mais de 13 milhões no País , caem as projeções para crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) neste ano. Segundo o Boletim Focus, relatório semanal divulgado pelo Banco Central com participação de instituições financeiras, o mercado está cada vez menos otimista. Na última segunda-feira (6), a expectativa para o crescimento caiu pela décima vez seguida .