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Segundo deputado Samuel Moreira (PSDB-SP), Previdência precisa ser "robusta do ponto de vista fiscal e com justiça social"; ele também disse que está preparado para receber "uma enxurrada de emendas" para aprovação

Samuel Moreira (PSDB-SP)
Divulgação/Agência Câmara
O deputado Samuel Moreira (PSDB-SP) disse que reforma precisa ser "robusta do ponto de vista fiscal e com justiça social"


Relator da reforma da Previdência na comissão especial, o deputado Samuel Moreira (PSDB-SP) disse ao Globo que passará o fim de semana mergulhado nos números sobre o impacto das mudanças no regime de aposentadorias.

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Moreira afirmou que pretende discutir todos os pontos com os deputados e construir "uma solução adequada junto com eles". Ele também disse que está animado e preparado para receber uma enxurrada de emendas. 


Até agora, a tramitação da reforma da Previdência andou lentamente. Como será na Comissão Especial?

Não dá para dizer nada enquanto eu não sentar e conversar com o presidente da comissão, deputado Marcelo Ramos (PR-AM). Nós vamos desenvolver um plano de trabalho. Na Comissão Especial, temos 40 sessões. Não estou preocupado agora se vai demorar ou não. O mais importante é uma reforma robusta do ponto de vista fiscal e com justiça social. Quero apresentar um relatório conclusivo e espero poder conciliar essas duas premissas.

O senhor já tem ideia do que pode mudar na reforma?

Estou totalmente mergulhado no sistema previdenciário ao nível de detalhes, tanto no atual, quanto no que propõe a PEC. Eu sei que existe um ambiente de expectativa, mas tenho que fazer conta, estudar o custo das medidas, não dá para sair por aí falando.

Pretende apresentar um relatório muito diferente do texto do Executivo?

Tenho que ter bastante responsabilidade diante da importância desse tema e respeitar a autonomia do Congresso. Meu papel é ouvir os deputados, os líderes partidários, analisar as propostas e construir uma solução adequada junto com eles.

Quais são os próximos passos?

Elaborar um cronograma de trabalho da comissão. Em função do feriado (quarta-feira, dia 1o de maio), estamos priorizando a terça-feira para fazermos uma reunião, debater e definir esse plano de trabalho.

O ministro da Economia, Paulo Guedes, será chamado para audiências?

Por enquanto está tudo em suspenso, não posso adiantar nada antes da reunião de terça-feira.

O senhor está preparado para receber uma enxurrada de emendas?

Estou me preparando para tudo, para quantas forem as emendas. Vamos nos organizar para sistematizar, estudar as emendas e conversar com os deputados.

Acha dá para assegurar uma economia de R$ 1 trilhão?

Ainda não dá para falar sobre isso. Mas o sistema de Previdência tem um déficit de R$ 286 bilhões por ano e se você tem hoje uma proposta que pretende atingir R$ 1,2 trilhão em 10 anos, está falando em cerca de 100 bilhões por ano. Ou seja, ainda não dá para eliminar o déficit. Mas você consegue ajustar e equilibrar o déficit primário do governo federal.

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Os estados devem ser retirados da reforma?

Esse é um dos pontos que as pessoas mais comentam e será debatido.

Como foi a escolha do seu nome para a relatoria?

Não trabalhei, não articulei para ser relator. Nós últimos dias, meu nome surgiu.

Pensou em recusar?

Tem coisas que não dá para dizer não.