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Dados do Ministério da Economia apontam que foram realizadas 1.304.373 demissões contra 1.261.177 admissões no mês; desligamentos foram mais realizados no setor de comércio e na região Nordeste do Brasil. Confira

Homem segurando a carteira de trabalho
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Mais de 43 mil vagas de emprego foram fechadas em março, no primeiro resultado negativo do ano


O Brasil fechou mais de 43 mil vagas formais de emprego no mês de março, de acordo com dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) divulgados nesta quarta-feira (24) pelo Ministério da Economia.

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Segundo o relatório, no total, foram  43.196 empregos com carteira assinada a menos no mês, resultado da realização de 1.304.373 demissões contra  apenas 1.261.177 admissões.  Esse é o primeiro resultado negativo em três meses — a última vez em que o País registrou mais desligamentos do que contratações foi em dezembro do ano passado, quando fechou  341.621 postos de trabalho formais.

O número é o terceiro menor já registrado em meses de março desde 2002, e o pior para a época desde 2017, quando quando 62.624 trabalhadores com carteira assinada haviam sido demitidos. No mesmo mês do ano passado,  o saldo foi positivo: 56.151 admissões foram cadastradas.

Segundo o Ministério da Economia, no entanto, o resultado negativo "não altera a tendência de retomada gradual da economia", já que no acumulado deste ano, ou seja, considerando os meses de janeiro a março de 2019, houve saldo positivo de 179.543 vagas de emprego .

A pasta também aponta que a queda no numero de postos de trabalho  é um reflexo do grande número de contratações registradas em fevereiro: 173.139, "acima das expectativas". De acordo com o ministério, a diferença entre fevereiro e março aconteu porque"os setores que normalmente admitiam nesta época do ano [março] anteciparam as contratações para fevereiro, e aqueles que demitiam concentraram as demissões em março", o que "provocou tendências opostas entre os meses."

Comércio tem maior número de vagas de emprego fechadas

Os dados do Caged apontam, ainda, que cinco dos oito setores da economia apresentaram redução no número de vagas. Entre eles, o comércio foi o que mais realizou demissões de trabalhadores: foram 28.803 vagas a menos.

  • Comércio: -28.803 vagas
  • Agropecuária: -9.545 vagas 
  • Construção Civil: -7.781 vagas 
  • Indústria de Transformação: -3.080 vagas 
  • Serviços Industriais de Utilidade Pública: -662 vagas 
  • Serviços: +4.572 vagas 
  • Administração Pública: +1.575 vagas 
  • Extrativa Mineral: +528 vagas 

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A maioria dos postos formais fechados foram encontrados na região Nordeste do Brasil, que registrou 23.728 desligamentos. Na segunda colocação, a região Sudeste aparece como a que mais realizou demissões , mesmo assim registrando menos da metade dos desligamentos do Nordeste:  10.673.

  • Nordeste: -23.728 vagas 
  • Sudeste: -10.673 vagas 
  • Norte: -5.341 vagas 
  • Sul: -1.748 vagas 
  • Centro-Oeste: -1.706 vagas 

Trabalho intermitente

 O Ministério da Economia também divulgou dados sobre o trabalho intermitente , que é caracterizado por quem trabalha em dias alternados ou por algumas horas, e é remunerado por período.

Neste âmbito, foram realizadas foram realizadas 10.328 admissões e 4.287 desligamentos em março, havendo um saldo positivo de 6.041 empregos. De acordo com o Caged, esse número é 88% maior do que o registrado em março de 2018, quando 3.199 vagas intermitentes foram criadas.

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Salário

O relatório do emprego também apontou que o salário médio de admissão dos trabalhadores foi de R$ 1.571,58 em março, o que representa 0,51% (R$ 8,1) a menos do que no mesmo período do ano passado, mas uma alta de 0,12% (R$ 1,92) em relação a fevereiro deste ano.